ACORDÃO - Emanuel Medeiros Vieira

Não precisarei ser longo: o cheiro de pizza é muito forte.
“Sinto” (sem mediunidade– basta acompanhar o noticiário) que está sendo tramado m tenebroso acordão para acabar  com a Lava-Jato, envolvendo parlamentares, membros do Executivo e do “sacrossanto” Supremo(sem risos, por favor!), e diversos Partidos(além de advogados das maiores bancas do país).

Desde a nossa colonização, prevaleceu o senso de impunidade, de que os “maiores” eram os donos do país, e a plebe só deveria servir aos maiores –, aos donos do poder.

Raymundo Faoro, no seu precioso livro “Os Donos do Poder”, já apontava – com mais refinamento e sofisticação – tal problema.
Patrimonialismo, corrupção etc.
Gente grande na cadeia? Nunca.
Quando se tenta, uma  vez , mina-se de todas as maneira o esforço honrado de homens de bem de punir os corruptos– venham de onde vierem.

São as “tenebrosas transações”, não só feitas na calada noite. De dia mesmo...
Não sei se a sociedade brasileira está tão anestesiada, desiludida, amarga e individualista para não perceber o que está acontecendo.
Os cidadãos percebem sim, mas sentem-se impotentes diante do grau de desonra, de privatização da “res” pública em torno dos “grandões”– os coronéis de hoje (eletrônicos ou não).

Não sei se regimentalmente, o ministro Edson Fachin poderia levar os processos que estão com ele para o Plenário, e não apenas para Segunda Turma.
Seria a única chance de não “perder” todas.
O senhor José Dirceu eu conheço desde os embates contra a ditadura, em 1968– lutas duras foram travadas, e lidar com pessoas sem escrúpulos é mais difícil.

No poder, expulsou amigos e conhecidos do PT, stalinista que sempre foi (meu saudoso líder e querido amigo, Luiz Travassos, sabia disso). E eram pessoas da melhor estirpe (havia gente boa naquele partido que nos seus inícios, prometia: “não rouba e não deixa roubar”).
Foi bom para os expulsos. Como respirar um ar tão viciado e maléfico?

“Cuidado com os idos de março”: foi com essa frase que os oráculos avisaram Júlio César (100 a.C- 44 a.C), o grande general romano, sobre a conspiração que se tramava contra ele no Senado Romano.
(Apenas um comentário evocativo: no antigo Curso Clássico, no ano de 1963, estudamos (a missão do aluno era traduzir do latim para o Português – eu tinha 18 anos) – a obra de César: “De Bello Gallico” – “Comentários sobre a Guerra Gálica”

Ele manda ao Senado romano, uma frase  muito poderosa,  lembrada até hoje pelos maiores estudiosos da História: “Veni, Vidi, Vinci” (Vim, Vi, Venci”).
Voltando à previsão dos oráculos: César não se importou com as previsões dos adivinhos e, em meados de março, diante do punhal que tirou a sua vida (eram 60 senadores), pôde apenas exclamar, ao ver o filho adotivo entre os assassinos: “Et tu, Brute?”
Lembrai-vos dos idos de maio (e de junho também, e dos outros meses, na esperança de que desse fedor republicano, um  dia a apareça a luz).


(Salvador, maio de 2017)
postagem enviada pelo autor

Comentários

Anônimo disse…
Texto muito lúcido e infelizmente real.
A corja política nos tornou marionetes de um cenário crítico.
Gerson Castro
Anônimo disse…
Com certeza ...
Já pressinto o rodízio
Jaime Amparo