BALADA PARA ANNE FRANCK - Clevane Pessoa

Guilandas de borboletas batiam asas dentro de tua alma
de menina quase mocinha.
Espirais de mariposas  rodeavam teu coraçãozinho amedrontado.
Estavas num casulo com tempo –espaço apertados,
ao mesmo tempo em que, papilonácea  e leve,
expandias tua arma , a escrita, e fazias teu diário,
sem saber quando poderias expandir –se em cores de arco-íris
e voar.
Nem entendias bem, todo o processo.
Vozes veladas, quando tua pré -adolescência exigia gritos de alegria.
Tua própria voz,sem vez, presa na garganta, sussurrando,
teus gestos medidos e comedidos
Quando tua força de menina jovem deveria dançar e pular e girar de euforia!
Tua mente ,perplexa, não mais sabia
Qual o significado de “Alegria”.
Um gato passava as unhas em teus pensamentos, lerdo, lento, sonolento.
Tu própria, felinamente, descansavas mais e mais para não sofrer.
Teu segredo, escrever, escrever...
E que pungentes  tuas frases, tão verazes e sinceras.
Quando por fim, a Vida negada em vida ,
foi enfim, tirada,
voaste, atirada nas ondulações do vento.
Bem dizem os indígenas que a alma não morre,
fica estilhaçada a dançar na ventania,
reintegra-se a reviver  para sempre.

Releio-te.
E meu peito tem um pequeno tambor de cristal
a nomear-te,a tua persistência e à tua literária arte;
Anne Franck...Anne Franck...Anne Franck...
A ti foi concedida a graça da de não envelhecer jamais...

poema enviado por Clevane Pessoa.
Belo Horizonte-Brasil.

Comentários

Anônimo disse…
Verso que adorei no poema..

meu peito tem um pequeno tambor de cristal.
Pâmela Andrade
Anônimo disse…
Lindo demais....

Espirais de mariposas rodeavam teu coraçãozinho amedrontado.
Pâmela Andrade
Anônimo disse…
Simplesmente demais...
a alma não morre,
fica estilhaçada a dançar na ventania,
reintegra-se a reviver para sempre.
Pâmela Andrade
Anônimo disse…
Pura sensibilidade....

Guirlandas de borboletas batiam asas dentro de tua alma .
Pâmela Andrade