OÁSIS - antologia de Haicai - org. Mahelen Madureira

MORADORES DE RUA lançaram em 2014 
a 4ª antologia de haicai.
OÁSIS - antologia do Prato de Sopa Monsenhor Moreira - capa dura -
Ed. Costelas Felinas - 
http://artesanallivros.blogspot.com.br/


 adquira diretamente com a organizadora Mahelen Madureira (pelo FACE ou pelo e-mail: mahelen2013@hotmail.com)

Veja o prefácio e leia alguns poemas.



Prefácio

Para o viajante no deserto a grande benção é o oásis. A vida é dura contra areia e calor, mas se mantém porque o oásis a retempera. Retempera, mas não a detém junto a si, porque por vocação será sempre passagem em rota de viajante. E este sabe, ou não sabe, aonde quer chegar, mas com certeza no oásis não pode morar.

Milagre vindo da água que assoma à superfície e forma pequena lagoa, o oásis tem pouco espaço, tem poucos recursos, pode albergar a poucos que obrigatoriamente têm que vir e ir, em ciclo contínuo.


Estranho destino ser tão essencial em tão curta estadia. Ser vital por momentos. Mas não quaisquer momentos. Nos momentos do cansaço extremo e do refazimento, ao oásis o viajante entrega o fardo desse cansaço e aguarda novas forças para deixá-lo e retomar viagem. Precisa colher coragem para seguir sua rota de areia e calor. 

Ao matar a sede, o viajante pode olhar em redor. Ao satisfazer o básico, pode despertar para o belo, pode abrir-se para a colheita inesperada. A colheita do sensível que preenche a Alma. Sem sede e à sombra, o viajante volta-se para si mesmo e percebe-se como pessoa. Dono de pensamentos que retornam, de um coração que pode amar, busca no instinto e nas estrelas uma nova rota e seu destino.

O oásis não se preocupa com os medos daquele que por ele passa, e com palavras de silêncio lhe murmura: coragem, para chegar a seu destino, ninguém pode furtar-se do caminho. Por isso não pare, nem no espaço e nem no tempo. Muito menos no tempo remoendo o que passou, imobilizado entre minutos que não deixa seguir adiante. Viajante, liberte-se do destino de viver um tempo que já não conta e sofrer dores pelo que não deixa cicatrizar.

O oásis sabe que tudo é passageiro, os viajantes, os frutos e até mesmo a água de sua lagoa que se entrega sem parar ao vento e precisa ser reposta pelo coração da Terra.

E nessa incessante mutabilidade, só duas coisas permanecem: a presença acolhedora do oásis e a gratidão de cada viajante.  


Deus abençoe o Prato de Sopa por ser um oásis...
Deus abençoe a cada morador de rua
em sua viagem...

Deus abençoe os autores pela colheita inesperada de seus haicais...
           

** Roberto da Graça Lopes
Coordenador Grêmio de Haicai
Caminho das Águas


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POEMAS


Alceu Pires da Silva
No barco de pesca
a rede vazia —
Rajada outonal.


Alfredo Fernandes Pereira Neto
Luau diferente —
Ao redor da fogueira
jovens dançam reggae.

  
Darci Ribeiro
Final de tarde —
Caranguejos saem do mangue
na maré baixa.


Elizabete Conceição dos Santos
Amanhece...
Entre as flores do canteiro
as borboletas.


Hélio Roberto Moreira Sérgio                
Silêncio só...
As árvores somem
no meio do nevoeiro.


Comentários

Cris Dakinis disse…
Cada haicai mais lindo que o outro. Parabéns poetas, Roberto da Graça Lopes e Mahelen Madureira. Quero o meu exemplar!!
Muita Paz para todos,
Cris