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A Música da Antiguidade - por Ivan Pereira

história da música:
A Música da Antiguidade (Parte I)


fátima queiroz




A música pré-histórica

         Quando nos debruçamos sobre a gênese da arte musical, somos convidados a empreender uma viagem no tempo, até divisarmos o horizonte da pré-história humana, além da qual nada existe, a não ser hipóteses, conjecturas, suposições acerca da vida, dos costumes e da tecnologia dos primeiros povos que habitaram a Terra. Sobre eles, pouco pode afirmar-se com segurança, dada a fragilidade dos testemunhos deixados, o que, se sob um aspecto, desmotiva inúmeros pesquisadores, de outra parte, seduz estudiosos a enveredar rumo à decifração desses dados.




         Os indícios de presença musical durante o período pré-histórico, apesar de imprecisos e fragmentários, se devem, apenas e tão-somente, a sítios arqueológicos. Incrustadas em cavernas, pode-se constatar figuras humanas cujo gestual demonstra, dentre outras, ações tendentes ao canto, à dança, ao toque de instrumentos. Tais representações, denominadas arte rupestre, possuem enorme valor histórico, embora insuficientes, não fugindo ao campo da mera especulação, para determinar, por exemplo, a origem exata da música, entendida esta como tentativas de expressão demasiadamente desprovida de recursos para se enquadrarem na categoria de arte musical, em decorrência da capacidade cognitiva do homem pré-histórico ou sua aptidão quanto ao manuseio de materiais produtores de som.

         Supõe-se que os primevos aglomerados sociais, à medida que progrediam intelectualmente e desenvolviam técnicas para adaptar-se às adversidades do meio onde viviam, também lançaram mão de exteriorizar o que se pode, hoje, compreender por musicalidade. Movidos por observação, contemplação e talvez certa consciência esotérica do mundo exterior, buscaram imitar ruídos ambientes, como o sopro da brisa, o canto dos pássaros, o murmúrio das águas, o que se não obtinha por efeitos somente rítmicos. Tendo em vista não permitir seu artesanato a produção de instrumentos melódicos, não bastava apenas percutir mãos e pés, ou fazer chocar pedaços de madeira entre si ou contra outro objeto para que disso resultassem sons semelhantes aos da natureza: necessário tornou-se o emprego da voz como forma rudimentar de canto, aliada a palmas e roncos, pulos e uivos, batidas e gritos, donde, pois, surgiram os primeiros instrumentos de percussão, feitos, a princípio, de peças de madeira simples, e, mais tarde, de dimensões variadas, conforme os sons que se pretendessem produzir.
 
         Fosse com o intuito de deificar e adorar a natureza ou reverenciar o desconhecido, reconhecendo-lhe funções mágicas, mediante danças ritualísticas de veneração ao sol, à lua, às estrelas, à água, à terra, ao fogo, ao vento, o homem primitivo, supostamente contemporâneo ao Paleolítico, inobstante não dominar a palavra articulada, encontrou, graças a tais práticas, formas de obter favores e proteção a si e ao grupo a que pertencia, estabelecer vínculos entre seus semelhantes, expandindo-os para tribos vizinhas, bem como agradecer a caça bem sucedida, a fertilidade da terra e dos homens.

         Para a antropologia, a música, como resultado da combinação de som e de silêncio, sempre cumpriu papel comunicante, expressivo e aproximativo; apesar da carência de informes mais concretos, acredita-se remonte a muito tempo depois dos achados em cavernas e grutas, por volta de 40.000 a.C., nas regiões da Europa Sul-ocidental, Centro-setentrional, Oriental e Bacia do Mediterrâneo, com o aparecimento do homem de Neanderthal, chamado homem das cavernas.

         Conforme a seguinte divisão de eventos, proposta por Roland de Candé, pode estabelecer-se uma análise mais acurada acerca da música primitiva e os meios por que se produzia:

Antropóides do terciário: Batidas com bastões, percussão corporal e objetos entrechocados;

Hominídeos do paleolítico inferior: Gritos e imitação de sons da natureza;

Paleolítico Médio: Desenvolvimento do controle da altura, intensidade e timbre da voz à medida que as demais funções cognitivas se desenvolviam, culminando com o surgimento do Homo Sapiens, por volta de 70.000 a 50.000 anos a.C.;

Cerca de 40.000 anos a.C.: Criação dos primeiros instrumentos musicais para imitar os sons da natureza. Desenvolvimento da linguagem falada e do canto;

Entre 40.000 anos a aproximadamente 9.000 a.C.: Criação de instrumentos mais controláveis, feitos de pedra, madeira e ossos, a exemplo de xilofones, litofones, tambores de tronco e flautas. (Um dos primeiros testemunhos da arte musical foi encontrado na gruta de Trois Frères, em Ariège, França. Ela mostra um tocador de flauta ou arco musical. A pintura foi datada como tendo sido produzida em cerca de 10.000 a.C.);

Neolítico (a partir de cerca de 9.000 a.C.): Criação de membranofones e cordofones, após o desenvolvimento de ferramentas. Primeiros instrumentos afináveis;

Cerca de 5.000 a.C.: Desenvolvimento da metalurgia. Criação de instrumentos de cobre e bronze permitem a execução mais sofisticada. O estabelecimento de aldeias e o desenvolvimento de técnicas agrícolas mais produtivas e de uma economia baseada na divisão do trabalho permitem que uma parcela da população possa se desligar da atividade de produzir alimentos. Isso leva ao surgimento das primeiras civilizações musicais com sistemas próprios (escalas e harmonia).


Referências bibliográficas:

CANDÉ, Roland de. História universal da música. 2 v. São Paulo: Martins Fontes, 2001.

CARPEAUX, Otto Maria. Livro de ouro da história da música. ed. rev. ampl. de Uma nova história da música. Rio de Janeiro: Ediouro, 2001.

NETTL, Bruno. Music in primitive culture [Música na cultura primitiva]. Harvard University Press, 1956.

PROJETO MUSICAL. Música na antiguidade. [Internet] Disponível em: <http://www.projetomusical.com.br/historias/index.php?pg=antiguidade>. Acesso em: 20/11/2012.

ROSSI, Sueli. Assírios, babilônios e caldeus. In: Sala de Música [Internet] http://saladmusica.blogspot.com.br/2007/03/assrios-babilnios-e-caldeus.html (capturado em 19/11/2012)

WELLESZ, Egon. New oxford history of music: ancient and oriental music. [Nova história da música oxford: música antiga e oriental]. 1957, v. 1.

Wikipédia. História da música. [Internet] Disponível em:

Wikipédia. Música da antiguidade. [Internet] Disponível em:

WISNIK, José Miguel. O som e o sentido. São Paulo: Cia das Letras, 1999.

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