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Negativa - Francisco Ferreira

Não me colhas ainda, Ceifeiro,
o sinal está fechado
o trem, na passagem de nível
e o sanduíche pela metade!

Não! Não vamos ainda
há um soneto a espera
do “fecho de ouro”,
meus sapatos desamarrados
e a quentinha esfriando.

Não me prives
desta vida monótona e presumível.
Não foram anunciadas
as cenas do próximo capítulo
e o pênalti final não foi batido.
Há beijos a serem negados
mentiras e segredos, a revelar-se
à revelia...

Provar a inexistência de anjos e OVNIs.
Antes que me esqueça:
tenho de retornar uma ligação,
tomar um pileque
experimentar substâncias proibidas...


Francisco Ferreira

Comentários

Hilda Curcio disse…
Sim, apesar de tudo, queremos estar como e onde estamos. Compactuo com você por não querer ser colhida. Lindo também. Será que você tem algum poema insignificante, meu amigo? Nossa! Maravilhoso demais. Também daria um conto...
edweinels disse…
Maravilhoso poema. Parabens, amigo Francisco.
Olá Hildamiga,

Obrigado pelas palavras carinhosas. É verdade, "embora o pão seja caro e liberdade pequena, a vida vale a pena". Inspire-se nele e crie um daqueles maravilhosos contos que você sabe criar.

Abraços!
Obrigado Edweine.
Elogios vindos de um poeta da sua envergadura e talento, é uma honra além de um enorme incentivo.

Abraços!

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