Pular para o conteúdo principal

Chuva que chove tanto - Valdeck de Jesus

Molha a terra, inunda o canto
Sufoca o berro, o grito, o riso
Chuva que chove tanto
Tanto que chove que me cala
Me emudece e deixa triste
Chuva que chove tanto
Que podia regar, fazer crescer
Também mata, maltrata
Me deixa em pranto
Chuva que chove tanto
Chove, chora, pranteia
Me faz espanto
Chuva que chove tanto
Molha as mentes, rega os olhos
Faz lágrimas choverem também
Querendo os filhos de volta
Chuva que chove tanto
Apaga, enxuga, meu pranto

Me dá plantações
No lugar de inundações
Faz meu povo crescer
Ao invés de matar e morrer
Oh, chuva que chove tanto
Leva minha tristeza pra longe
Enche o mar e os rios com meu chorar
Derruba minha fome
Não come minha plantação
Não quebra minha casinha
Não mata minha cachorrinha
Oh chuva que chove tanto
Por que não lava a mente suja
De quem não cuida do meu país?
Lava, varre, enxagua e apaga
Toda a injustiça que me sufoca
Oh chuva que chove tanto
Vamos fazer um trato
Chove onde precisa
Para onde não quer
E deixa meu povo seguir
Feliz, contente, pra onde quiser.

Valdeck de Jesus

Em homenagem ao povo de Moçambique vítima das cheias do Chibuto

Comentários

Postagens mais visitadas deste blog

Poema em linha reta - Fernando Pessoa - Interpretação Osmar Prado

Enviado por A. Pastori Abaixo, link para uma brilhante e convincente interpretação - inusitadamente adaptada - do ator Osmar Prado, sobre um antológico poema de Fernando Pessoa.  Para refrescar-lhes a memória, logo abaixo do link está a poesia completa do Poetíssimo de Além Mar. http://www. poesiaspoemaseversos.com.br/ poema-em-linha-reta-fernando- pessoa/?utm_source=feedburner& utm_medium=email&utm_campaign= Feed%3A+ DaBuscaemPoesiaComPoesia+%28A+ Magia+da+Poesia%29#. Vivrun6rTIU Poema em linha reta - Fernando Pessoa Nunca conheci quem tivesse levado porrada. Todos os meus conhecidos têm sido campeões em tudo. E eu, tantas vezes reles, tantas vezes porco, tantas vezes vil, Eu tantas vezes irrespondivelmente parasita, Indesculpavelmente sujo. Eu, que tantas vezes não tenho tido paciência para tomar banho, Eu, que tantas vezes tenho sido ridículo, absurdo, Que tenho enrolado os pés publicamente nos tapetes das etiquetas, Que tenho sido grotesco, mesqu...

Trajes Poéticos - RIMA EMPARELHADA

rimas que ocorrem seguidamente em pares. ********* os poemas publicados aqui participaram do concurso Trajes Poéticos realizado pelo Clube de Poetas do Litoral - salvo os poemas dos autores cepelistas que foram os julgadores dos poemas.                

CONCURSO CARDÁPIO POÉTICO - INSCRIÇÃO ABERTA PARA OUTUBRO

A Ed. Costelas Felinas e o Clube de Poetas do Litoral em parceria realizam o concurso Cardápio Poético. O concurso é aberto a todos os interessados do Brasil ou do exterior (desde que escritos em língua portuguesa). NÃO HÁ TAXA DE INSCRIÇÃO -  INSCREVA SEU POEMA PARA O MÊS DE OUTUBRO/2014 maiores informações:  cacbvv@gmail.com COMO FUNCIONA:   O concurso inicia em novembro de 2013 e termina em novembro de 2014 - SELEÇÃO:  Serão escolhidos 02 poemas por mês - O poeta selecionado poderá participar quantas vezes quiser durante o ano. Ao todo serão selecionados 24 poemas (02 por mês) - o júri será composto pelos integrantes do Clube de Poetas do Litoral (CPL).