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VIAJANTE DO TEMPO - Leonardo Só

Não se apresse, não se apresse, não.
Eu não venho de táxi,
Não vou arranhar o verbo
E tampouco machucar a sintaxe,
Mas trago estricnina nas retinas
E “napalm” no natal pro teu coração.
Trago páginas do “mein kampf”
E capítulos inteirinhos do “alcorão”.

Venho da noite corrompida pelos ventos
Que sopram de Sodoma e Gomorra:
Noite de enxofre e ranger de dentes,
Noite com sensualidade de uma orquídea
Embalada pelo orgasmo dos anjos
E dos bêbados da cidade.

Venho da noite
Onde o tempo coagula nas retinas,
O maxilar da fome nos rumina
E o feno da volúpia nos engorda.

Venho da noite vasta,
Onde, no escuro, o gargalhar sinistro da hiena engasta,
E uma sombra negra e  insone amarra o seu cavalo...
Trago, também, nessa noite, o meu canto
Igual o crocitar do corvo

Aguardando o enterro do povo!

Leonardo Só
poeta clandestino

Comentários

Mara faturi disse…
Muito bom...viajei:)
bjo!
Hilda Curcio disse…
Imagens muito interessantes, poeta.

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