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O TREM - Cida Micossi,

Dia e noite, noite e dia
Segue a locomotiva,
Dia e noite, noite e dia
Dos trilhos sempre cativa.

Serpenteia lentamente
Com o peso dos vagões,
Grita e sofre e range os dentes
Corta na noite os grotões,
É um canto intermitente
Machucando os corações.


Na sua lida constante,
Sangue correndo nas veias,
Segue assim o maquinista:
Passa pedra, passa areia
E a solitária floresta...

Vai em busca do alimento
Pra família tão modesta.

O apito é o grito solitário
Da roda tangendo os trilhos
Contundente e devagar
Até chegar à estação,
Como a nostalgia a rasgar
Dentro do peito o coração
Em suspiros sufocados
Repletos de solidão.

Cida Micossi, 
Santos, 15-07-2013

Comentários

Hilda Curcio disse…
Adoro trem de ferro e tudo que vem junto, como esse poema. Lindo.
Anônimo disse…
Obrigada, Hilda Curcio. :)

Cida Micossi

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