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COITADA da minha RUA - Nininha Rocha

Coitada da minha Rua
Era calma e vive aflita
Era pobre ficou rica
Vestiram-lhe uma capa-preta
E deram-lhe como enfeite
Calçada, outro nome, guia e sarjeta
E tem até o sol noturno
Que a luz de mercúrio ofuscou o brilho da "Aurora"
Fincando um pesado "Machado... que não é o de Assis"
Das bem rimadas poesias que eu tanto admiro
Mas em rua estreita onde "Coletivo" transporta
Gente chorando, gente com fome e sangue rolando
Começa a confusão, com tamanha multidão
Coitada da minha Rua
Ah!... Tinha o namoro de "alpendre"
Que embalaram a balança dos meus olhos e sonhos
Com "Balas e Caramelos"
Dos meus tempos de criança


Coitada da minha Rua
O barulho do motor tudo modificou
A chiada da brecada
O pneu que estourou, a buzina que apitou
A fumaça que ficou, sem contar a colisão
A lata amassada da "motoca tresloucada"
Ouvindo o som ensurdecedor do "Unisef" o moço se espatifou
Coitada da minha Rua
Já não vive toda nua, hoje tem até "Regente"
e eu sinto saudade sua, quando nela só havia
Nas dobras de minha sensibilidade
O Lirismo das noites de Lua Cheia.

Nininha Rocha
poema publicado na revista Acadêmica (órgão oficial da Academia Brasileira de Estudos e Pesquisas Literárias, n.º 31)

Comentários

Anônimo disse…
lembrou da minha rua...
ai que saudade...
Maria do Carmo Assumpção

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