Pular para o conteúdo principal

SENTIMENTOS... - Kedma O'liver

Na madrugada, encolhido,
tremendo de frio, a dormir
nada sabe sobre o amanhã,
se haverá um porvir
Alimentos, sempre os restos,
quase sempre azedo ou frio,
olhares de medo ou desprezo
e nunca um gesto de carinho.
Oportunidades passaram,
reconhece que errou,
mas isso já não importa,
pois a sorte o abandonou.
Família não lembra onde está,
nem o nome lembra mais
às vezes, em pequenos flashes,
vê rostos...irmãos ou pais?

Meu Deus, que desespero
o próprio nome não lembrar.
Endereço será que algum dia tive?
e a família, onde andará?
Sei que lembro sempre
o  local onde encontro
Mais uma dose da morte...
é bem ali, naquele ponto.
Pessoas com sorrisos falsos
entregam-me e depois cobram
com gotas de minhas memórias
Orgulho e dignidades esgotam.
Deus, onde estão as pessoas
que falam de Teu amor?
Será que elas poderiam
afastar de mim essa dor?
Também sou ser humano
que cansado de ser humilhado,
em momentos de lucidez,
eu quero mudar de lado.
Quero ser gente de bem
basta um olhar e proteção
ajuda-me, Pai misericordioso,
dê-me nova direção.
Não penso em mais nada;
viver, morrer, tanto faz,
apenas estou cansado
Dê-me um pouco de paz.
Mostre-me para as pessoas
pois me tornei invisível,
passam e nem me olham
acham-me desprezível.
Deus, isso dói na alma,
quando mudam de calçada
com nojo, com desprezo,
como se eu não fosse nada.
Sou reflexo de meus atos.
Colho o que plantei?
Faz-me voltar no tempo
pelas estradas onde andei.
Quem sabe eu reencontre
minha vida, minha dignidade.
Deus, por favor, ajude-me...
tenha de mim piedade.

 Kedma O'liver

Comentários

Postagens mais visitadas deste blog

Poema em linha reta - Fernando Pessoa - Interpretação Osmar Prado

Enviado por A. Pastori Abaixo, link para uma brilhante e convincente interpretação - inusitadamente adaptada - do ator Osmar Prado, sobre um antológico poema de Fernando Pessoa.  Para refrescar-lhes a memória, logo abaixo do link está a poesia completa do Poetíssimo de Além Mar. http://www. poesiaspoemaseversos.com.br/ poema-em-linha-reta-fernando- pessoa/?utm_source=feedburner& utm_medium=email&utm_campaign= Feed%3A+ DaBuscaemPoesiaComPoesia+%28A+ Magia+da+Poesia%29#. Vivrun6rTIU Poema em linha reta - Fernando Pessoa Nunca conheci quem tivesse levado porrada. Todos os meus conhecidos têm sido campeões em tudo. E eu, tantas vezes reles, tantas vezes porco, tantas vezes vil, Eu tantas vezes irrespondivelmente parasita, Indesculpavelmente sujo. Eu, que tantas vezes não tenho tido paciência para tomar banho, Eu, que tantas vezes tenho sido ridículo, absurdo, Que tenho enrolado os pés publicamente nos tapetes das etiquetas, Que tenho sido grotesco, mesqu...

CONCURSO CARDÁPIO POÉTICO - INSCRIÇÃO ABERTA PARA OUTUBRO

A Ed. Costelas Felinas e o Clube de Poetas do Litoral em parceria realizam o concurso Cardápio Poético. O concurso é aberto a todos os interessados do Brasil ou do exterior (desde que escritos em língua portuguesa). NÃO HÁ TAXA DE INSCRIÇÃO -  INSCREVA SEU POEMA PARA O MÊS DE OUTUBRO/2014 maiores informações:  cacbvv@gmail.com COMO FUNCIONA:   O concurso inicia em novembro de 2013 e termina em novembro de 2014 - SELEÇÃO:  Serão escolhidos 02 poemas por mês - O poeta selecionado poderá participar quantas vezes quiser durante o ano. Ao todo serão selecionados 24 poemas (02 por mês) - o júri será composto pelos integrantes do Clube de Poetas do Litoral (CPL).

Trajes Poéticos - RIMA EMPARELHADA

rimas que ocorrem seguidamente em pares. ********* os poemas publicados aqui participaram do concurso Trajes Poéticos realizado pelo Clube de Poetas do Litoral - salvo os poemas dos autores cepelistas que foram os julgadores dos poemas.