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Arroz e feijão - Ari Mascarenhas

Arroz e feijão são mais que grãos,

São sonhos nas mãos da cigana,
São realizações nas mãos do artesão,
esperança na terra verdejante,
presença perene na mesa da gente.

São sons no chocalho do berço,
no maracá ritmado, canção.
Motivo de risos ou desespero
quando saltam procuram o chão.

São estrelas que surgem do mar escaldante
Borbulhantes, caldo em erupção.
Um se solta com um breve banho acalorado,
E ou outro com esforço e muita pressão.


Cozidos, servidos, dormem no prato.
Esfumaçados, quentes, salgados.
Ora doces, frios e orientais
Ou cobertos de um fino salmão.

 Arroz e feijão

Quando para uns são normais
Para outros um desejo desesperado.
Que imploram por alguns poucos grãos
Estando-os ou não temperados.

Ari Mascarenhas

Comentários

Anônimo disse…
poesia tem que ser servida assim.
tão necessária quanto arroz e feijão
gostei Ari.
João Carlos
Obrigado João Carlos! O casamento entre arroz e feijão é o que há de mais harmônico e paradoxal de nossa identidade.
Abraços
Cris Dakinis disse…
Que cardápio! Adorei...
"São estrelas que surgem do mar escaldante" e "Quando para uns são normais - Para outros um desejo desesperado"
É um poema inusitado e delicioso - Parabéns!
Anônimo disse…
Versos resgatados do chão,
que brotaram de um cidadão
com uma preocupação na mão:
A verdadeira fome de nossa nação!
fome de espírito, medo de inanição.
Fome que vai muito além do fogão...
São versos que imploram por digestão!
Nunca me senti tão satisfeita, alimentada,
de coração!!!

Cinthia Mascarenhas, com gratidão.
Oi Cris,
Obrigado pelas palavras. A ideia foi mesmo uma provocação degustativa e social.
Valeu!
Obrigada Cinthia, minha doce princesa!

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