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TRISTEZA - Mariza C. de C. Cezar (ilustração Cláudio Feldman)

Cláudio Feldman

    Não gosto nada de me prender ou sequer passar pela tristeza, seja ela profunda, superficial, momentânea ou mesmo mera passageira.
    Não sou triste, nunca fui e nunca pretendi sê-lo.
    Por certo tristezas ocorreram ao longo de minha vida como na de todas as pessoas, mas nunca as cultivei, pois por natureza sou alegre, bem humorada e gosto muito de viver como gosto também de conviver, confraternizar, de me relacionar com os íntimos e ainda com transeuntes ou pessoas as mais diversas encontradas nas filas a que somos submetidos no dia a dia, como nas várias salas de espera  em que se espera quase que indefinidamente.
    Se gosto de gente num geral, gosto também e muito da minha companhia! Sinto imenso prazer em conviver comigo entre as paredes do meu  “castelo” em que brinco de Poliana  me fixando menos nos aspectos negativos e muito mais no imenso prazer de poder ser finalmente, de me encontrar, e descobrir, regozijar e aplaudir!
    Por vezes ralho comigo mesma, me dou tremendos sabões e puxões de orelha, mas sempre com imensa ternura e não sem orgulho por ser quem sou e de gostar muito  de mim mesma!
    Dizem que de médico, poeta e louco todos temos um pouco e curto ao encontrar esses requisitos em mim! Sou normalmente louca e que delícia que é me permitir sê-lo! Médica no que tange à medicina holística, em suas várias modalidades, também já o fui e, por vezes ainda as exercito em mim. Quanto ao poeta, não sei se de pé quebrado, mas sempre o serei desde que  seja em versos livres e nada piegas, pois amo o espontâneo, a liberdade de ser, sentir e dizer!
    No entanto ultimamente tenho me sentido desencantada, tolhida na liberdade de dizer, de me expressar, de falar e, não sei e não gosto do impessoal, dos resumos inexpressivos dos MSN tão em moda e ao gosto pobre da população de hoje!
    Não gosto também de ser tolhida em meu sentir e no expressar em palavras o que me vai à alma e no coração!
    Para mim a mordaça, o me fazer calar é quase o mesmo que me fazer morrer!
    Lágrimas correm dos olhos e da alma lavando a dor e o sangue que brota do coração!
    Sangue é vida! É a pura materialização da dinâmica energia em sua rotação elíptica que ao diminuir essa rotação vai se condensando até se materializar, entretanto conserva um ritmo, um batuque, um pulsar e correr, movimento esse que anima a matéria advinda da baixa rotação e quando finalmente interrompe esse movimento, coagula ou se derrama, e a matéria se torna inerte.
    Inércia! Haverá algo mais lamentavelmente triste?
    Tenho chorado e muito nos últimos dias a dor da alma e a do coração. Alegro-me, no entanto ao perceber que ainda luto contra a tristeza e se, de um lado procuro aceitar certas dolorosas limitações, de outro luto bravamente contra o condicionamento a inércia e ao entreguismo, pois os movimentos assim como as risadas são e dão vida!

  •                          Mariza C. de C. Cezar



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