Diário da Escrita de Nelson Hoffmann por Roberto de Queiroz

O diário de Nelson Hoffmann
Roberto de Queiroz* (texto enviado pelo autor)
“Diário da escrita” é o título do livro mais recente do escritor e crítico literário gaúcho Nelson Hoffmann. E, como afirma o próprio autor, a obra é apenas um ensaio de suas conversas via e-mail, e resulta da compilação de um único mês de correspondências, as quais datam de um ano já distante.
Nesse caso, pode-se dizer que a obra de Hoffmann é um livro do gênero e-mail? Não. Trata-se de um livro de cartas, enviadas via e-mail, uma vez que (salvas as exceções) os textos são longos e não obedecem à linguagem fluida e concisa do e-mail. Assim, suas características estruturais, inclusive sua linguagem, atendem aos padrões do gênero carta (menos fluidez/concisão da linguagem e maior detalhamento dos fatos que o e-mail).


Ademais, pode-se argumentar que, no livro de Hoffmann, o e-mail funciona como canal de comunicação entre os interlocutores – por meio do qual as cartas são trocadas entre eles –, e não como um gênero textual concretizado histórica e socialmente. A tela do PC (ou Mac, Androide, iPad/iPhone, etc.), usado por eles, por sua vez, funciona como portador textual, uma das facetas da era digital, de que o autor se valeu muito bem.
Eu, particularmente, gosto deveras do gênero carta. E o livro em tela conseguiu manter ativo esse meu gostar. Principalmente, por se tratar de um livro de cartas em que algumas delas são escritas pelo exímio prosador gaúcho Nelson Hoffmann, um escritor cujos textos conseguem prender a atenção do leitor, do início ao fim.
De resto, valho-me de mais uma afirmação do autor, em que se lê: “A troca das falas escritas mostra a grandeza das pessoas que falam.” E essa grandeza, certamente, está nas entrelinhas do“Diário da escrita” de Nelson Hoffmann. Basta ter sensibilidade para tocá-la.
* Poeta, professor de Português e especialista em Letras. Autor de “Leitura e escritura na escola: ensino e aprendizagem”, Livro Rápido, 2013, entre outros. 

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