OS PRIMÓRDIOS DA NACIONALIDADE PORTUGUESA - Trabalho e pesquisa de Carlos Leite Ribeiro

Portugal, Espanha e Gibraltar (território britânico desde 1704 e retificado pelo tratado de Utrecht, em 1713), formam uma península chamada Ibérica, no extremo da Europa.
Portugal é um país pequeno, pois a sua superfície não vai além de 89.560 Km2. A sua costa é banhada pelo Oceano Atlântico, numa extensão de 845 Km.
Milhares de anos antes de se formarem as duas nações com os nomes de Portugal e Espanha, outros países e outros povos houve na Península.
Então, o homem era um ser de existência rude. Vivia em cavernas e fazia as suas armas e utensílios de pedra, ossos e espinhas de peixe. Muitos anos depois, aprendeu a fazer toscas construções à beira dos lagos.
Vários povos invadiram a Península, alguns vindos de muito longe, pela terra ou pelo mar.
Os Lígures são os primeiros de que há notícia, seguidos pelos iberos. Depois vieram os Fenícios e os Gregos. A Fenícia era, então, um país muito progressivo e desenvolveu a civilização em vários pontos da Península.
Assim, lentamente, pelo contacto com povos mais adiantados, os indígenas peninsulares iam transformando a sua vida, com a aquisição de novos ensinamentos e costumes.
Vieram também os Celtas que nalguns pontos se juntaram aos Iberos, formando os Celtiberos.
Da junção dos Iberos e dos Celtas com os Lígures, formaram-se os Lúcios, mais tarde Lusitanos.
A Lusitânia ficava Entre-Os-Rios Tejo e Douro. Os Lusitanos, muito arraigados à sua independência, eram briosos guerreiros e manejavam a espada, o punhal e a lança com grande arte. Usavam cabelos compridos e comiam pão feito de bolota. Viviam em tribos independentes, mas, quando em guerra, todas se uniam e elegiam então os seus chefes comuns.
Mais tarde, vieram os Cartagineses, oriundos da poderosa cidade do Norte de África, chamada Cartago, que era uma colónia fenícia. Estabeleceram-se na Península, onde estiveram mais de 300 anos.
Quando no ano 201, antes de Cristo se submeteram a Roma, com a qual andaram em guerra, os Romanos tomaram conta da Ibéria.
Nem todos os povos da Península receberam de bom grado o jugo de Roma. As atrocidades cometidas pelos seus soldados motivaram muitas revoltas, sobretudo dos povos do interior.
Os Lusitanos, ao verem as suas terras em perigo, e temendo perder a sua independência, ergueram-se em luta aberta contra o invasor.
Depois de vencerem várias forças romanas, o general Galba prometeu-lhes boas condições de paz, se depusessem as armas. Os Lusitanos já cansados da guerra, aceitaram mas caíram numa armadilha. Cerca de 30.000 Lusitanos caíram vítimas do pérfido general romano. Os que escaparam, refugiaram-se na Serra da Estrela.
Entre os que escaparam, encontrava-se um pastor, valente, audaz, temerário, corpo endurecido nas lutas da montanha, que conseguiu reunir 6.000 homens.
Era VIRIATO, que recomeçou a luta contra os Romanos, vingando a chacina de Galba.
Venceu todas as forças de Roma, até que impôs condições de paz, que os Romanos aceitaram.
Os Romanos entraram mais uma vez no caminho da traição.
Faltaram ao acordo de paz, firmado com Viriato, e de novo lhe abriram luta. Como tornassem a perder, resolveram então subornar três companheiros do valoroso montanhês, que mataram o seu chefe enquanto ele dormia. Só desta forma vil, é que os generais romanos conseguiram vencer Viriato.
Depois da morte de Viriato, os Lusitanos passaram a ser comandados por Sertório, um romano exilado.
Á frente dos bravos Lusitanos, Sertório venceu todos os generais que Roma enviou para o combater. Os Lusitanos estimavam-no muito. O seu lugar-tenente, Perpena, mau e invejoso, matou-o à traição, durante um banquete.
Por fim os Romanos pacificaram a Península, cujos povos aceitaram todos os seus usos e costumes.
Nela se mantiveram centenas de anos, deixando numerosos vestígios da sua civilização, como estradas, monumentos, aquedutos, que ainda hoje podemos admirar.
Os povos bárbaros invadiram o Império Romano, que para sempre se extinguiu com toda a sua civilização.
Aqueles povos entraram depois na Ibéria e devastaram tudo o que encontraram, espalhando a peste e a fome. Os que mais se distinguiram nestas destruições foram os Alanos, os Vândalos e os Suevos.
Os Visigodos também vieram fixar-se na Ibéria, onde dominaram os outros povos bárbaros.
Convertidos aos Cristianismo, os Visigodos fizeram da Península um grande reino, que durou quase 300 anos. Aproveitando-se das lutas que começaram a dividir os Visigodos, os Muçulmanos, vindos do Norte de África, invadiram a Península.
Rodrigo, rei dos Visigodos, foi derrotado na batalha de Guadalete, na qual perdeu a vida.
Os Muçulmanos tomaram conta da Península, excepto uma parte das Astúrias, onde se refugiou um grupo de visigodos, chefiados por Pelágio. Este combateu os Mouros e venceu-os na batalha de Covadonga.
Assim nasceu o primeiro reino cristão da Península Ibérica, chamado a princípio das Astúrias e depois de Leão.
Devido às lutas contra os Mouros, formaram-se mais tarde, outros reinos cristãos, como Castela, Navarra e Aragão. Era rei de Leão Afonso Vl.
Por morte de seu irmão, rei de Castela, ficou a governar os dois reinos.
Afonso Vl batalhou muito contra os Mouros, alargando os seus reinos até ao Tejo.
Bandeira do Conde Dom Henrique
 
Henrique, cavaleiro francês, auxiliou-o nestas lutas. Como recompensa pelos seus feitos, o monarca deu-lhe em casamento sua filha Dona Teresa, e o governo do Condado Portucalense.
O Condado Portucalense começava ao norte e estendia-se do rio Minho para sul, em alguns pontos até ao rio Tejo. Don Henrique, combatendo sempre os Mouros, dilatou os seus territórios.
Depois, partiu numa Cruzada à Palestina, ficando sua mulher Dona Teresa, a governar o Condado Portucalense, que continuava a depender do rei de Leão.
Por morte de Dom Henrique, como seu filho Afonso Henriques ainda era menino de três anos, ficou a governar o Condado, sua mulher, Dona Teresa.
Seguiram-se algumas lutas entre as duas irmãs (de Leão e do Condado Portucalense), pois ambas ambicionavam alargar as suas terras e formar assim, um reino independente.
Falecida D. Urraca (de Leão), seu filho Afonso Vll foi aclamado rei de Leão e Castela.
Logo invadiu Portugal, para que sua tia, Dona Teresa lhe prestasse vassalagem, bem como seu primo Afonso Henriques, já armado cavaleiro em 1125, na catedral de Samora.
Afonso lll cercou-o em Guimarães. E assim começou a Fundação de Portugal...
 
Bandeira de Dom Afonso Henriques (1º rei de Portugal)
 
O aio de Afonso Henriques, procurou Afonso Vll, a quem garantiu a vassalagem do infante, e, assim, o rei de Leão e Castela levantou o cerco.
O infante Afonso Henriques, não respeitou a palavra de seu aio, e, Egas Moniz dirigiu-se a Toledo acompanhado da mulher e dos filhos, para entregar a D. Afonso Vll o penhor das suas vidas. O rei de Leão e Castela mandou-o em paz.
Fernão Peres de Trava era um fidalgo galego que Dona Teresa nomeara governador do Porto e de Coimbra (com uma grande carga amorosa...).
Em 1128, Afonso Henriques revoltou-se contra sua mãe, derrotou-a na batalha de S. Mamede e tomou conta do governo do Condado Portucalense.
Dona Teresa e Fernão Peres de Trava fugiram para a Galiza.
Logo a seguir, Afonso Henriques invadiu a Galiza e venceu os Leoneses na batalha de Cerneja.
Mercê do seu espírito valoroso, seguiu-se uma série de vitórias. Assim derrotou os Mouros na batalha de Ourique. Depois, tornou a invadir a Galiza e infligiu nova derrota aos Leoneses, em Arcos de Valdevez.
A batalha de Ourique foi a mais importante que Dom Afonso Henriques travou contra os Mouros, pois estes reuniram um numeroso exército de cuja derrota, dependia o estabelecimento da Nacionalidade de Portugal.
Dom Afonso Henriques, à frente dos exércitos portugueses, investiu contra os Mouros e desbaratou-os. Reza a lenda que o rei lusitano teve a visão de Jesus Cristo em pleno campo de luta, e que lhe tinha garantido a vitória.
Depois, Afonso Vll propôs a paz a D. Afonso Henriques, que só a aceitou depois de ser reconhecido rei de Portugal.
Para esse fim, reuniram-se em Samora, em 1143, Dom Afonso Henriques, D. Afonso Vll e o cardeal Guido, legado do Papa. Aí, foi ratificada a independência de Portugal, que ficaria só vassalo da Santa Fé.
Em seguida, Dom Afonso Henriques iniciou as suas lutas contra os Mouros.
Com o auxílio de Mem Ramires, conquistou Santarém. Em 1147, depois de um grande e longo cerco e ajudado pelos Cruzados, que iam combater os Turcos, tomou Lisboa. Seguiram-se Sintra, Almada, Palmela, Alenquer, Alcácer do Sal, Évora e Beja.
Durante as conquistas das terras aos Mouros, muitos Portugueses praticaram atos de heroísmo.
Na tomada de Santarém, Mem Ramires e um punhado de homens que foram os primeiros a subir às muralhas. Mataram as sentinelas e correram a quebrar os ferrolhos das portas da cidade.
Na conquista de Lisboa, imortalizou-se o nome de Martim Moniz, o qual se deixou morrer entalado numa das portas da cidade, para que os Mouros a não fechassem, e ficassem os soldados de D. Afonso Henriques com passagem aberta.
Os Cruzados também auxiliaram o rei de Portugal, na conquista de Lisboa.
Geraldo conhecido por "O Sem Pavor", homem fugido à Justiça, conquistou várias terras aos Mouros, a fim de obter o perdão do rei, pelos seus crimes. Foi ele quem tomou as cidades de Évora e Serpa, auxiliado por outros homens que igualmente queriam agradar a Dom Afonso Henriques.
Fernando Gonçalves conquistou Beja. Também se tornou famoso Dom Fuas Roupinho (talvez o primeiro almirante português) que, perto do cabo Espichel, aprisionou uma esquadra mourisca.
Gonçalo Mendes da Maia, o "Lidador", foi um bravo cavaleiro que, com mais de 90 anos, morreu em plena luta contra os Muçulmanos.
Mais tarde, Geraldo, conhecido por  "O Sem Pavor" quis conquistar Badajoz. D. Afonso Henriques foi em seu auxílio, para apressar a conquista, mas o novo rei Fernando ll, de Leão, cercou os Portugueses, porque também queria a cidade. O rei português caiu então prisioneiro de seu próprio genro (Fernando ll), que só o libertou contra a entrega dos conquistados castelos da Galiza.
Desde então, Dom Afonso Henriques ficou muito alquebrado. Dividiu o governo com seu filho mais velho, o infante Dom Sancho. Os Mouros, julgando os portugueses enfraquecidos com a velhice e a doença do seu rei, ainda cercaram Santarém por várias vezes, sem conseguissem reconquistá-la.
Dom Afonso Henriques, recebeu o cognome histórico de "Conquistador", morreu em 1185, com a idade de 76 anos. Foi ele o Fundador da Nacionalidade Portuguesa, cuidando ainda de dilatar o território, e dando-nos a verdadeira expressão de um grande Povo independente.
Veneremos a sua memória.

NOTA: É UM SIMPLES E DESPRETENCIOSO APONTAMENTO CUJA FINALIDADE É DAR A CONHECER UM POUCO COMO NASCEU PORTUGAL.

Trabalho e pesquisa de Carlos Leite Ribeiro - Marinha Grande - Portugal
postagem enviado por  Carlos Leite Ribeiro

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