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PÁTRIA AMARGA - Emanuel Medeiros Vieira / ilustração Cláudio Feldman

                                                    

                                                   (Prosa Poética Panfletária)
                                                
O amor que não dá certo está sempre por perto(Cacaso – 1944-1987)


Pátria: também amada
 meu bom Deus:
O Senhor perdeu o passaporte brasileiro?
não vou me queixar – tudo está secando ao nosso redor:  lágrimas,  esperanças, projetos
deveria falar de outro jeito?
Berço esplêndido”.
esplêndido?
 Colônia, Império às, repúblicas (Velha e Nova)
 assaltos  ao Poder,  golpe militar duradouro  – foi-se toda uma geração que sonhava e muito mais –  governos civis, Nova República,  constituintes que não se cumpriram
 trapaças, saques, traições,  consensos, jogadas na calada da noite
não  contamos – somos de pouca valia
carrego frases feitas, platitudes e lugares-comuns
Dos filhos deste solo és mãe gentil” – certa mãe deixou-nos órfãos?
a  gentileza não está nos rostos –  estresse diário, caudaloso rio de notícias vis
“Florão da América” – que deveria ser nosso
“Filhos teus não fogem à luta”
Bate-nos um fundo cansaço – como um raio
palavras,  partidos, gravatas, jeitinhos, cinismo, piratarias, patifarias e um deus eleito chamado  mercado
“seja mais otimista” – ordenam-me! “Ame-o ou deixei-o” (como gostaria...)
Terra adorada”/minha pátria amada/amarga, Brasil (Perdoem-me pelo panfleto.)


(Salvador, junho de 2017)

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