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"E O AMOR LONGE” (DEFINIÇÃO DE SAUDADE, OFERECIDA POR UM MENINO AUTISTA) - EMANUEL MEDEIROS VIEIRA


         Para todos os autistas e suas famílias

Saudade é o amor longe: ele disse
E – quem sabe – perto
(Decerto)
Tão perto do coração – e no olhar
Autismo não é adjetivo
Concha escondida em mares interiores?
O que sabemos de nós?
O que sabemos da vida?
Luz – Cruz
Quem nos conhece?
Existimos no outro – e o outro “impõe” o que somos
A cela mental vira arquipélago – tantas ilhas não compartilhadas
(Mentira?)
Tudo será assim tão difícil?
Ou é fácil – apenas uma Travessia.
Não desistamos do amor: alguém apela – e a reivindicação soa melosa (como essa prosa presunçosamente poética)
Precisamos esperar o Inferno?
No porão há fresta de sol.
Ele é: mas o instante daquele sol amanhecendo na Lagoinha, no Parque da Cidade da última capital do país, aqui na “Graça”, na primeira sede do Brasil (outro amor),  contemplando o sol deitando-se no mar na Ilha de Itaparica, na Ponta do Humaitá, no Gazômetro,  no Sul (também) do meu coração, na Lagoa da Conceição (da minha mítica ilha) – tudo é finitamente belo
Inunda-me de uma alegria sem sentido (com todo o sentido)
Um poema nos tira do inferno.
O terror não é ir embora – passagem é vida da vida
Outros nos cobram para sermos o que eles querem – e não nascemos escravos –
fomos ficando escravos
A mente que sabe que a saudade é “o amor longe
não  mente
Doloroso mundo que demoniza a diferença
O estigma é a serpente (no ovo)
E dele escapa todos os dias – não se iludam: a guerra é sempre
Esse é o não-mor distante – fera, maldição.
(Os ventos ventarão, carregando-nos definitivamente para a Terceira Margem do Rio)
É só isso.
Te amo menino – pela descoberta
E não te conheço
Talvez estejas a quilômetros de distância
Pois amor é isso também – longe, lonjura, oceano e caravela

(Salvador, agosto de 2017)

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