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foto: cláudia brino |
(...) “Espero
um mínimo
de lucidez/na dança
dos meus ventos invernais,/embora isso pareça-me improvável,/por falta de navio, âncora ou cais”
(Geraldo Carneiro)
A literatura nasce de um estrondo? De um ruído? De um gemido?
Nasce de uma esperança
contra o Tempo?
A vida só
não
basta –
muitos já
disseram.
Nasce de nossa “pressa” contra a “Indesejada”? Um pé de goiaba no quintal, vento sul,
mar, calças
curtas, trapiche. Elixir Paregórico,
Pomada Minâncora,
goma arábica,
a venda do Quidoca, groselha, pitangas, cigarro sem filtro, máquina Singer, fogão de lenha, procissões, o relógio de algibeira do meu pai – chapéu, terno preto –, Missa do Galo, , álbum de fotografias, “algodão doce” – e até o fim da estrada teria muito do
que lembrar.
É
preciso sorrir ao pé
das fogueiras acesas.
Tainhas em maio, faróis
de todos os lcantos da Ilha, “barba de velho” para fazer o presépio natalino, ilha mítica/minha/nossa carne levada aos
ventos.,
Alvíssaras,
meu capitão:
Terra à
vista!
“Minha
vida daria um livro”
–
alguém
exclama. Eu penso: todas as vidas dariam um livro.
Minha sagrada reivindicação
no mundo dessacralizado: AMOR PARA TODOS. Pão e amor para todos: tal apelo é um legado? Esperança? Reivindicação. Amor? Sim. Amor. Como o pão nosso de cada dia.
“Eu era
feliz? Não
sei, fui-o outrora agora”
–
nesse final (em verdade, os textos nunca terminam: o “fim” é uma breve pausa...), “preciso” lembrar o mestre luso e eterno
– Fernando
Pessoa.
(Salvador, julho de 2017)
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