NASCE ** EMANUEL MEDEIROS VIEIRA

foto: cláudia brino
                        (...) Espero um mínimo de lucidez/na dança dos meus ventos invernais,/embora isso pareça-me improvável,/por falta de navio, âncora ou cais
                        (Geraldo Carneiro)


A literatura nasce de um estrondo? De um ruído? De um gemido?
Nasce de uma esperança contra o Tempo?
A vida só não basta – muitos já disseram.
Nasce de nossa “pressa” contra a “Indesejada”? Um pé de goiaba no quintal, vento sul, mar, calças curtas, trapiche. Elixir Paregórico, Pomada Minâncora, goma arábica, a venda do Quidoca, groselha, pitangas, cigarro sem filtro, máquina Singer, fogão de lenha, procissões, o relógio de algibeira do meu pai – chapéu, terno preto –, Missa do Galo, , álbum de fotografias, “algodão doce” – e até o fim da estrada teria muito do que lembrar.
É preciso sorrir ao pé das fogueiras acesas.
Tainhas em maio, faróis de todos os lcantos da Ilha,  “barba de velho” para fazer o presépio natalino, ilha mítica/minha/nossa carne levada aos ventos.,
Alvíssaras, meu capitão: Terra à vista!
“Minha vida daria um livro” – alguém exclama. Eu penso: todas as vidas dariam um livro.
Minha sagrada reivindicação no mundo dessacralizado: AMOR PARA TODOS. Pão e amor para todos: tal apelo é um legado? Esperança? Reivindicação. Amor? Sim. Amor. Como o pão nosso de cada dia.
“Eu era feliz? Não sei, fui-o outrora agora” – nesse final (em verdade, os textos nunca terminam: o “fim” é uma breve pausa...), “preciso” lembrar o mestre luso e eterno – Fernando Pessoa.

(Salvador, julho de 2017)

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