Pular para o conteúdo principal

HIROSHIMA EMANUEL MEDEIROS VIEIRA*


HIROSHIMA
EMANUEL MEDEIROS VIEIRA*

Na manhã de 6 de agosto de 1945
a bomba de Hiroshima,
a bomba,
tão clara,
exata,
cirúrgica.
Bomba geométrica,
certeira.
A bomba vem do céu,
mas não é ave.
A bomba vem de cima,
mas não é Deus.
Desce fumegante,
a bomba não negocia,
a bomba não conversa,
célere, impositiva,
acerta o alvo, cai,
a bomba queima, a bomba dissolve,
a bomba dilacera.
Alguém nasce no ano em que ela cai,
e pensa naquele 6 de agosto de 1945:
segunda-feira – 8h15 da manhã:
Surpresa daqueles milhares de olhos.
Na véspera, a espera do lúdico no matinal domingo,
parques, igrejas, passeios, visitas familiares.
Dia seguinte:
sem tempo para a reflexão – a chegada da não-ave,
emissária de Tanatos,
que cai, cai,
na paisagem limpa (cogumelos atômicos).



*Emanuel Medeiros Vieira nasceu em Florianópolis (SC), em 1945.
Morou em Brasília há 38 anos.
Atualmente, divide-se entre a primeira Capital do Brasil (Salvador) e a última (Brasília).
Tem vinte (23) livros publicados.
.
Participou de mais de 50 antologias no Brasil e no exterior.
É detentor de diversos prêmios literários.
Seu romance “Olhos Azuis – Ao Sul do efêmero” (Thesaurus editora/FAC, Brasília, 2009), recebeu o Prêmio Internacional de Literatura, promovido pela União Brasileira de Escritores – UBE, em 2010.
O livro foi contemplado com o “Prêmio Lúcio Cardoso”, para o melhor romance – na avaliação da entidade –, publicado no Brasil em 2009..
Sua obra foi elogiada, entre outros, por Carlos Drmmond de Andrade, Otto Maria Carpeaux, Mário Quintana, Antônio Olinto, Anderson Braga Horta. Moacyr Scliar,Caio Fernando Abreu, João Gilberto Noll, Luiz Antônio de Assis Brasil, Carlos Appel, Salim Miguel, Hélio Pólvora, Paulo Leminski, Léo Gilson Ribeiro, Lourenço Cazarré, Rubem Mauro Machado, Silveira de Souza, Flávio José Cardozo,e.Afrânio Coutinho,, Antônio Carlos Vilaça e Herculano Farias.
Sua obra foi tema de Dissertação de Mestrado na Universidade Federal de Santa Catarina – UFSC –, em 1997.

Comentários

Costelas Felinas disse…
ENVIADO POR E-MAIL

Continuo impactado e impressionado com a ilustração escolhida (foram muito felizes - se a escolha foi da equipe) para o meu poema "Hiroshima".
Gratidão e afeto do Emanuel

Postagens mais visitadas deste blog

Poema em linha reta - Fernando Pessoa - Interpretação Osmar Prado

Enviado por A. Pastori Abaixo, link para uma brilhante e convincente interpretação - inusitadamente adaptada - do ator Osmar Prado, sobre um antológico poema de Fernando Pessoa.  Para refrescar-lhes a memória, logo abaixo do link está a poesia completa do Poetíssimo de Além Mar. http://www. poesiaspoemaseversos.com.br/ poema-em-linha-reta-fernando- pessoa/?utm_source=feedburner& utm_medium=email&utm_campaign= Feed%3A+ DaBuscaemPoesiaComPoesia+%28A+ Magia+da+Poesia%29#. Vivrun6rTIU Poema em linha reta - Fernando Pessoa Nunca conheci quem tivesse levado porrada. Todos os meus conhecidos têm sido campeões em tudo. E eu, tantas vezes reles, tantas vezes porco, tantas vezes vil, Eu tantas vezes irrespondivelmente parasita, Indesculpavelmente sujo. Eu, que tantas vezes não tenho tido paciência para tomar banho, Eu, que tantas vezes tenho sido ridículo, absurdo, Que tenho enrolado os pés publicamente nos tapetes das etiquetas, Que tenho sido grotesco, mesqu...

Trajes Poéticos - RIMA EMPARELHADA

rimas que ocorrem seguidamente em pares. ********* os poemas publicados aqui participaram do concurso Trajes Poéticos realizado pelo Clube de Poetas do Litoral - salvo os poemas dos autores cepelistas que foram os julgadores dos poemas.                

Revista temática Cabeça Ativa - BORBOLETAS

CAPA: Nelly Vieira                    R$4,00 (incluídas despesas postais) Nesta edição de nº 22, Cabeça Ativa dá um suave e elegante voo alongando suas páginas em direção ao aconchego sensível das borboletas. Alçamos nosso bailado aos céus a procura de poemas envoltos em aladas carícias e nos quedamos extasiados ante tantos versos ocupados em retratar um compartilhamento íntimo de pétalas afagando pétalas. Por tudo isso, convidamos nossos leitores a aninhar em seus dedos este singelo casulo de papel e a se deleitarem com os surpreendentes adejos poéticos provenientes das infinitas asas sem frênulos deste utópico panapaná literário. os editores   autores deste número: