Pular para o conteúdo principal

TEMPO - EMANUEL MEDEIROS VIEIRA (ilustração Cláudio Feldman)

                                             TEMPO
                        
Cláudio Feldman
                (Prosa Poética?)
                           EMANUEL MEDEIROS VIEIRA

    “O mal não está em que a vida promete largo e dá estreito: o mal é que ela sempre dá e depois tira.”  (Juan Carlos Onetti)

    “Me colocaram no tempo, me puseram
      uma alma viva e um corpo desconjuntado.
      Estou limitado ao norte pelos sentidos, ao sul
      pelo medo, a leste pelo Apostolo São Paulo, a oeste pela linha educação.” (...)   (Murilo Mendes)


O Tempo não roerá o verso da minha boca, reivindica a poeta.
Crônica? Não sei. Mas é sobre essa “brevidade infinita” que chamamos de tempo, que eu gostaria de meditar.
Os mais radicais dizem que o tempo não existe.
Mas ele está aqui, nos meus calcanhares, no domingo à tarde –, outro que se esvai, assim, sempre. Ou o tempo é uma ilusão?
Não, não é a busca da notoriedade efêmera, o que queremos com a literatura.
(Refiro-me àqueles que sabem que seu ofício é mais que marketing.)
Nem aspiramos prebendas.
A pergunta de sempre: por que escrevemos?
Ou melhor: por que continuamos?
Poucos parecem se interessar pela palavra.
A imagem prevaleceu.
E a internet acelera a comunicação. Não a aprofunda.
Mas é preciso persistir e continuar acreditando na permanência da literatura.
Sabemos – com Freud – que podemos reconhecer apenas um pequeno fragmento dos nossos ímpetos, e um fragmento ainda menor dos ímpetos de outras pessoas.
Desistiremos por essa razão?

Da subjetividade que nos exila e da objetividade que nos esmaga?
Ainda mais num mundo em que todo parece se “derreter”, em que tudo é descartável, em que nada parece perdurar.
Como observou Milan Kundera, a ideia do eterno retorno designa uma perspectiva na qual as coisas não parecem ser como nós as conhecemos: elas nos aparecem sem a circunstância atenuante de sua fugacidade.
E tudo é fugaz.
Alguém disse que a morte sempre vence, porque tem mais tempo.
E escrever, é também uma busca de transfiguração.
Transfigurar para eternizar.
É isso o que importa.
Não a doentia busca de  notoriedade ou fama que, no mundo em que vivemos, todos parecem querer conquistar a qualquer custo.
Mesmo que se venda a própria alma.
O fundamental é manter-se fiel a si mesmo.
Não é fácil.
Mas só assim preservamos a nossa essência e os nossos valores.
“Se cada segundo de nossa vida deve se repetir um número infinito de vezes, estamos pregados na eternidade como Cristo na cruz”, observa Kundera.
Por isso, Nietzsche afirmava que a ideia do eterno retorno é o mais pesado dos fardos.
Como criadores, em nossas narrativas, buscamos criar uma teia de sentido, num mundo que parece ter se desencontrado do núcleo do humano.
Perdemos o eixo na chamada pós-modernidade?
Na hegemonia do fragmento, é preciso buscar um caminho que reconcilie
SER E DESTINO.
(Emanuel Medeiros Vieira)


Comentários

Anônimo disse…
Incrível, parabéns pelas verdadeiras palavras. Século 21, pobre século 21.

Postagens mais visitadas deste blog

Trajes Poéticos - RIMA EMPARELHADA

rimas que ocorrem seguidamente em pares.

*********

os poemas publicados aqui participaram do concurso Trajes Poéticos realizado pelo Clube de Poetas do Litoral - salvo os poemas dos autores cepelistas que foram os julgadores dos poemas.              

VII Seletiva Nacional de Poesia – 2017 Para a edição do livro VII COLETÂNEA SÉCULO XXI

VII Seletiva Nacional de Poesia – 2017 Para a edição do livro VII COLETÂNEA SÉCULO XXI - que trará uma Homenagem ao poeta e professor Pedro Lyra – 
(será o 41º livro editado pela PoeArt Editora- DESDE 2006 COM VOCÊ!) (Prazo: ATÉ 30 de abril de 2017)
(somente pela INTERNET)


   A PoeArt Editora de Volta Redonda RJ, institui o livro VII Coletânea Século XXI  (depois das bem sucedidas Antologias Poéticas de Diversos Autores, Vozes de Aço da I a XVIII, depois do sucesso da I a VI Coletânea Século XXI, do livro Cardápio Poético, 1ª e 2ª edição, I a III Coletânea Viagem pela Escrita. Dentre os já homenageados por suas contribuições literário-culturais em nossos livros, estão: Adahir Gonçalves Barbosa, Alan Carlos Rocha, Álvaro Alves de Faria, Astrid Cabral, Clevane Pessoa, Flávia Savary, Flora Figueiredo, Gilberto Mendonça Teles, Maria Braga Horta (in memoriam), Maria José Bulhões Maldonado, Mauro Mota, Olga Savary, Oscar Niemeyer, Pedro Albeirice da Rocha e Pedro Viana.


SEM TAXA DE INSCRIÇÃO: (AT…

SAFRA VELHA DE CLÁUDIA BRINO recebe indicação do International Poetry News

É com alegria e surpresa que acabo de receber de Giovani Campisi a notícia de que o livro Safra Velha de Cláudia Brino (Costelas Felinas) é um dos livros indicados para concorrer ao Prêmio Nobel de Literatura 2018.

Indicado pelo jornal International Poetry News entre 25 títulos de autores internacionais encaminhados ao Comitê Organizador do Prêmio Nobel de Literatura - 2018
A indicação foi feita pela Direzione Editoriale / Edizioni Universum

clique na imagem e veja a IPN  INDICAÇÃO NO - INTERNATIONAL POETRY NEWS


Este livro não é vendido em livrarias e se movimenta à margem da grande mídia. Adquirindo a versão impressa você receberá dedicatória especial tendo o seu nome impresso no livro.