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Sumi-ê e haicai - por Roberto de Queiroz

enviado por Roberto de Queiroz 


O título supracitado alude a um opúsculo do professor Araken Guedes Barbosa, publicado em 2013. Trata-se da 5ª obra do autor. Formado em Letras pela Universidade Católica de Pernambuco (UNICAP), com especialização pela Yokohama Kokuritsu Daigaku, no Japão, e mestrado e doutorado em Linguística Aplicada pela Universidade Federal de Pernambuco (UFPE), Araken atuou como professor visitante, através do Programa Fulbright, na James Mason University. Atualmente, é professor do Departamento de Letras da UFPE. Acumula ainda em sua bagagem a experiência de cofundador dos Núcleos de Línguas e Culturas da UFPE e de coordenador do curso de Letras dessa instituição. E seus feitos não param por aí: é fundador do Grêmio de Haicai Arrecifes, artista plástico, poliglota, prestidigitador e faixa-preta Aikido – autorizado pela Aikido World Headquarters.

Araken viveu no Japão e na China, locais em que desenvolveu o gosto pela cultura asiática. Já na introdução, o autor questiona a relação entre os dois termos que titulam o livro em apreço. E ele próprio dá a resposta: o termo “sumi-ê” (pintura com tinta negra) surgiu na China Antiga, entre os séculos 2 e 3 d.C. Foi levado ao Japão por monges budistas, por volta do século 13 d.C., onde tornou-se mais difundido. O termo “haicai” (haiku) tem origem japonesa. Refere um poema de forma fixa, constituído por dezessete sílabas, distribuídas em três versos (de cinco, sete e cinco sílabas poéticas, respectivamente), sem rima, e, igualmente ao sumi-ê, prima pela simplicidade, concisão e plasticidade. Um haicai pode conter tudo aquilo que o “haijin” (haicaísta) tem como experiência. Assim, ele transmite imagens mentais (uma cena presente, uma estória, algo especial, etc.) que são capazes de converter a essência do trecho poético em cena viva.

Nesse livro, o autor proporciona ao leitor, por meio da pintura sumi-ê e do haicai, o contato com alguns aspectos da cultura japonesa. Igualmente, expõe a própria opinião sobre a poesia vinculada à arte tradicional da pintura em preto e branco. Para tanto, apoia-se no conceito mais amplo do termo “yuugen”, que, na cultura japonesa, é usado para designar o mistério contido em um texto ou pintura, ou seja, para indicar que ali se concebe o mais alto grau de profundidade de expressão artística sobre um tema ou objeto. Por tudo isso, o leitor deve conferir tais informações, contidas nessa obra tão atraente. Está feito o convite!

(Texto publicado na Folha de Pernambuco, 06/08/2015, Opinião, p. 4)

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