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ROGÉRIO SALGADO: DOCE CORAÇÃO GUERREIRO - Por Eduardo Waack

ROGÉRIO SALGADO: DOCE CORAÇÃO GUERREIRO
 Por Eduardo Waack


 A primeira vez que ouvi falar o nome de Rogério Salgado foi na casa da poeta baiana Rita Gonçalves, em 1987. Rita havia publicado em 1984 seu livro “Matiz”, e nos conhecemos na noite soteropolitana, enquanto eu divulgava meu livro de poemas “Canções do Front” (1986). Conversávamos sobre os poetas da cena independente brasileira, e o seu nome surgiu de imediato. Os anos se passaram e em 1990 consegui o endereço da revista “Arte Quintal”, um símbolo do movimento alternativo de então. Solicitei assinatura, sendo prontamente atendido por Rogério, que inclusive teve a gentileza de publicar alguns poemas de minha autoria. Esta atitude serviu-me de estímulo extra, e em 1991 criei O Boêmio, que resiste até hoje. De lá para cá continuamos em contato, ora nos lendo em jornais irmãos, como O Capital, editado em Sergipe por Ilma Fontes, ora trocando correspondências esparsas, ora nos encontrando com naturalidade no alcance real do pensamento evoluído.



 Rogério Salgado é uma pessoa que possui um coração imenso, bondoso e acolhedor. Fez da poesia a sua profissão de fé, escreve com paixão, desinteressadamente, é um atento & esforçado operário da palavra. Seus versos poderiam estar embalados pela música de John Lennon ou Paul MacCartney, se tivesse nascido na Inglaterra, e seriam ouvidos e cantados em todo o planeta. Poderia também ser um consagrado autor com fama internacional, se sua pop-poesia tivesse surgido nos Estados Unidos, Canadá ou França. E não se furtaria de frequentar as primeiras páginas dos jornais pomposos do Rio de Janeiro e São Paulo, caso tivesse estômago para participar dos grupelhos vaidosos que vendem a alma (e muitas vezes nada recebem) por um destaque social. Rogério Salgado é chão batido por onde passam multidões humildes e um carro de bois, é a ladeira da memória povoada por lembranças suaves e palpáveis, onde as crianças brincam e evocam cantigas de roda. É a ancestralidade do futuro brejeiro, a esperança da urbanidade cordial. Seu trabalho pode ser traduzido pela simples expressão “fraternidade na literatura”. Não nega o pedido de um amigo, não escreve para tornar-se famoso, não bajula nem quer ser bajulado. Cidadão de bem, vende seus livros e divulga sua poesia na grande metrópole e onde quer que exista um leitor ávido por esperança.
 Entre seus principais livros, destacam-se:
 – “Tontinho”, conto, Edição do Autor, 1982
– “Meu Íntimo”, poesia, Editora Arte Quintal, 1984
– “Meu romance com Greta Garbo”, contos, Doce Edições, 1992
– “Cinzas”, poesia, Editorial Pão & Passo, 1995
– “As vogais não são iguais”, infantil, Belô Poético, 2003
– “Exalando cheiro de lua nova”, poesia, Belô Poético, 2006
– “Trilhas”, antologia poética, Belô Poético, 2007
– “Sais”, poesia, Belô Poético, 2012
– “Poeta Ativista”, memórias, RS Edições, 2015
 Sua mais recente participação literária está no livro “AI-5” (numa referência ao Ato Institucional número cinco, decretado pelo general Costa e Silva, em 1968, durante a ditadura militar que se instaurou no país em 1964), escrito em parceria com os poetas Bilá Bernardes, Helenice Maria Reis Rocha, Irineu Baroni e Petrônio Souza Gonçalves. Este livro relembra os 48 anos do Golpe dentro do Golpe e, em versos, refaz a tragédia política que se abateu sobre o Brasil por mais de 20 anos. Foi lançado dia 13 de dezembro de 2016, na Assembleia Legislativa do Estado de Minas Gerais.
postagem enviada por Eduardo Waack

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