enviado pelo autor
(© 2015
- Roberto de Queiroz. Fonte:
http://poesiavivadeipojuca.blogspot.com.br/2015/12/mesa-posta.html)
Mesa posta
Roberto
de Queiroz
Diz um adágio popular que beleza não põe mesa, e
diz um adágio afrodisíaco que feiura não põe mesa. A conclusão é esta: beleza
não põe mesa, feiura também não.
O que, na verdade, põe a mesa é a cadência dos neurônios em sintonia com a cabeça, o tronco e os membros do corpo. O pôr a mesa não é, então, tarefa de beleza ou de feiura. Mas como o seria, se a beleza e a feiura não são concretas? Ambas são meros substantivos abstratos e, sozinhas, não têm existência própria: precisam apelar para o adjetivo para existir. Essa derivação adjetivo-abstrata, por si só, não é capaz de pôr a mesa. Enfim, o pôr mesa é ação da labuta inconclusa das mãos, e a ação de pôr a mesa, depois de concluída, resulta em mesa posta.
O que, na verdade, põe a mesa é a cadência dos neurônios em sintonia com a cabeça, o tronco e os membros do corpo. O pôr a mesa não é, então, tarefa de beleza ou de feiura. Mas como o seria, se a beleza e a feiura não são concretas? Ambas são meros substantivos abstratos e, sozinhas, não têm existência própria: precisam apelar para o adjetivo para existir. Essa derivação adjetivo-abstrata, por si só, não é capaz de pôr a mesa. Enfim, o pôr mesa é ação da labuta inconclusa das mãos, e a ação de pôr a mesa, depois de concluída, resulta em mesa posta.

http://poesiavivadeipojuca.blogspot.com.br/2015/12/mesa-posta.html)
11/12/2015
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