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rojão - contopoema de Cláudio Feldman

conto poema inédito
 


rojão
1
fátima queiroz
taquarituba
ruas
milharais
meia dúzia de rostos
queimados de tédio e sol
aí rebenta rojão
equino pampo-pedrês
que conta
dança
desata nós
palhaceia


2

tem 11 anos
a pata na pedra
arranca 11 faíscas
gira a corda na boca
laçando
joaquim três
seu amo
as narinas palhaceiam
nos relevos
femininos
e
deita como defunto

3

rojão
invade todos os rodeios destes brasis
depois
jornais
e cinema
enchendo a burra
de joaquim três


4

políticos
e starlets
querem fotos
com rojão
e um prêmio nobel
itinerante
é urinado no retrato


5

rojão
invade todos os rodeios do mundo
os reis d’inglaterra
recebem rojão
de rincho caipira
em seus aposentos
querem subtraí-lo
de nosso rincão
por milhões de libras
mas joaquim
bate o pé
em buckingham
rojão
é a consciência nacional
6

rojão
no maracanã
ou no madison
square garden
é sempre rojão
conta
dança
desata nós
palhaceia
fingindo
a morte
e um ventríloco
lhe faz dizer
qualquer semelhança
com alimária
é pura coincidência

7

mesmo entre guerras
120.000.000 de aplausos
mesmo entre guerras
anos
de mirabolâncias mundanas
rojão
cansado
deita como defunto
longe do show
e há lágrimas
alemãs
pela tv


8

o único herói
de taquarituba
foi
um cidadão de ferraduras
a câmara
o prefeito
o padre
os populares
erguem
uma estátua equestre
sem
o homo sapiens


9

entrou por uma porta
saiu pela outra
quem souber
que conte outra
mas só se conta esta
em taquarituba
  

cláudio feldman

                       
Observação:a parte 6 vai de rojão
no maracanã a é pura coincidência            

Comentários

Anônimo disse…
Poema maravilhoso... flue leve cheio de ritmo, delícia de ler!
Regina Alonso
Anônimo disse…
Bom saber que o Cláudio continua na ativa, abraço .
Edson Bueno de Camargo
Anônimo disse…
amei..estou repassando,...
Janice bifulco

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