FRONTE CULTURAL: ANTOLOGIA POESIA CUBANA - por Silvério da Costa

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JORNAL SULBRASIL - EDIÇÃO 6.615/ 23 DE JUNHO 2016
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leia os poemas que foram publicados no jornal.
Volto 
Volto
a tropeçar contigo,
a perguntar a mim mesmo
quem realmente sou.
Se a transparência 
esquecida dos anos
não acaba ainda,
se posso desfazer-me
de tudo o que me ata,
a vida prisioneira
ante seus envelhecidos pés.
REYNALDO ARNESTO OLIVA
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Criação
 Um olho se insere
            nas costelas da noite,
os violinos silvam ao compas...
Um labirinto detém as pirâmides
quando o sol regurgita os fantasmas
            de uma aurora
carente de macieiras.

São espelhos...
o equilíbrio
é medo em seu cálculo com o verbo.
Caem as sílabas espremidas
consomem sua bilis
...o paladar ainda é doce
e os chinelos escapam ante Deus.

Sabes de loucuras...
            de harpejos encerrados em um pentagrama
            liberas feitiços e ninguém sabe
            como surgiram teus ossos.


 GLADYS HERNÁNDES FERNÁNDEZ
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Os espelhos da guerra
 Pelos corredores de minha alma
crucificado em vidros, espelhos e cristais
um grito de sal e pedra
lança desenhos artificiais sobre meus ossos.
É a angústia dos ursos e das baleias
em sístoles e diástoles congelados da existência,
choros de infantes e amapolas transculturalizadas
na sálvia elementar de minha alma.

A guerra é um jogo de xadrez
martelando luminicamente 
o tapete insustentável dos reis,
pólvora ancestral dos continentes lastimados
pela gangrena estupefacta de canhões;
mísseis de esterco e suicidas tricolores
em revoadas de silêncios e bandeiras
contaminam os arcoíris dos planetas.

E meu pai morto... Luz em mim...
parece estar adormecido 300 anos antes de Cristo,
quando apenas no ventre de minha mãe
eu sonhava  ser inseto ou mariposa
sempre ÁRVORE BEM VERDE
ROSENDO GARCÍA IZQUIERDO
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Instante
 Estou agora em ti
vento, água, sangue,
teletransportando faíscas
onde o cosmos vibra como um riso
na garganta e nos olhos
compartilhando conchas fora do útero.

Batalhas entre primavera e inverno
            superioridade de flores?
Somos tu. Neste instante
sejam estas prioridades:
amor e liberdade.
CARID SANTÍ NUÑEZ
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Assédio
                         I

Água suja, virulenta,
– arquétipo de pântano –
como universo próximo
que me convoca e afugenta.
Arremedo de vestimenta,
complô, obscuro desenho,
voz interior do sonho,
reflexo fóbico.
                        Sou?
Roleta russa em que vou
atrás da mercê de meu empenho.

                        II 

Vaga, espantosa visão
endógena em que naufrago
desconhecendo o disfarce
de imitar o camaleão.
Metamorfoses, dispõem
minha dor para outro dia,

Salva-me da vazia 
sensação de assistir ao mundo
sua obscuridade, infecundo
assédio em minha alma.
JOSNEL SALGUEIRO SÁNCLEZ

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