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Flores no caminho - por João Alberto de Faria e Araújo

enviado pelo autor



Flores no caminho
por João Alberto de Faria e Araújo

Certa noite, encerrado entre as paredes do meu quarto, eu amargava uma tristeza inexplicável quando ouvi uma voz suave pronunciar meu nome ao mesmo tempo em que tive a impressão que eu era carinhosamente tocado. 
Lembro que logo depois adormeci e sonhei. 
Vi-me feliz, pequenino, de mãos dadas com uma pessoa que me protegia não me deixando descuidar. Meus passos eram titubeantes, mas toda vez que eu olhava para aquela figura amável eu ganhava coragem para persistir. 
Repentino, o cenário mudou. 

Eu estava ajoelhado ao pé da minha cama e ao meu lado aquele mesmo Ser parecia me ensinar a rezar e agradecer a um Deus que eu aprendia a amar. A seguir, a minha mente foi tomada por mil imagens de beijos, de gestos afetuosos, de lágrimas de alegria a cada conquista minha, senti o aroma de uma comida quentinha e gostosa e até o perfume da roupa cheirosa. Notei, também, que em alguns momentos eu tinha sido colocado de castigo. Mas não era um castigo ruim. Era um castigo que ansiava por me fazer pensar sobre qual conduta eu deveria adotar. 
De novo, tudo se modificou. 
Agora era um auditório e na platéia alguém me sorria acenando orgulhosa e eu, lá de cima do palco, exibia radiante o símbolo de minha vitória. 
Noutra visão, uma moça formosa me dizia sim e duas crianças risonhas corriam e se atiravam nos braços de uma senhora que festejava a sua chegada. Enquanto ela os afagava, voltava seus olhos compassivos para mim que me inundavam de uma paz que eu, um dia, já tinha experimentado. 
Então, meu sonho ficou mais claro e, enfim, reconheci naquele vulto minha mãe que havia partido. Foi aí que entendi o porquê daquela melancolia que me visitava e chorei lágrimas de uma saudade dolorida. 
Nesse momento, com a forte sensação de sua presença, despertei envolvido por uma delicada fragrância que tomava conta do meu quarto e recordei de uma frase que ela sempre falava: – “Mães são flores no nosso caminho!”.

Comentários

Anônimo disse…
PUXA VIDA!!!! PUXA VIDA MESMO.... logo nas primeiras linhas de seu texto, já me vi todo...
Voltou a imagem da infância exatamente comoe stá escrito em seu texto..

senti a presença de minha mãe naquele dia e agora... texto muito forte. que bom le-lo...

Jorge Mattos
João Alberto de Faria e Araújo disse…
Olá Jorge!
Agradeço por suas palavras emocionadas.
Deixo-lhe um grande, forte e fraterno abraço!

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