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Todos no mesmo barco - por Dinovaldo Gilioli

Todos no mesmo barco

Independentemente da opinião que cada um tenha sobre o ex-governo Dilma Rousseff, o que é naturalmente legítimo; independentemente da opinião que cada um tenha sobre o impeachment da presidenta, o que é naturalmente polêmico, é imprescindível lembrar qual foi o projeto, qual foi a proposta que venceu as eleições presidenciais em outubro de 2014. 
Porque falo isso? Ora, sobre as questões mencionadas acima pode-se convergir ou divergir, ter opiniões iguais ou totalmente contrárias. No entanto, em relação a proposta que venceu as eleições, é preciso ter clareza.
Se, de fato, o voto no Brasil é símbolo do exercício pleno da democracia como o Tribunal Superior Eleitoral – TSE faz questão de propagar e, deve ser respeitado, não há como concordar com o que vem ocorrendo no país. O Brasil passa por mudanças contrárias ao projeto que a maioria da população, através do voto direto, escolheu.

O impeachment, portanto, sem entrar no mérito da sua análise, não elimina o compromisso do governo em dar continuidade ao que vinha sendo implementado. Destaca-se, ainda, o fato de que o atual presidente da República, Michel Temer, era vice na chapa de Dilma.
Isto é a teoria, na prática o que se observa cada vez mais e com maior nitidez é que a retirada de Dilma Rousseff da presidência do Brasil tinha como objetivo principal a mudança de projeto do país, do projeto sacramentado pelas urnas em outubro de 2014. Assim sendo, podemos afirmar que a tão decantada democracia está sendo vilipendiada à clara luz do dia.
O projeto que venceu as eleições presidenciais e que Michel Temer deveria cumprir, não propunha o desmonte do estado brasileiro com a entrega de suas riquezas e do patrimônio público. O projeto que venceu as eleições, não apregoava a retirada e/ou redução de direitos trabalhistas, O projeto que venceu as eleições, não engessava o estado no que se refere ao atendimento das necessidades básicas da população.
Independentemente do juízo de valor que cada um faça sobre o impeachment, os que vivem da sua força de trabalho (ativos e aposentados) agora estão todos no mesmo barco. Se não houver muita luta para tentar barrar o que está sendo imposto, o povo mais uma vez vai pagar a conta e os patos da FIESP ainda rirão da nossa cara!

Dinovaldo Gilioli é escritor


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