Jeca Poeta - de Ronaldo Junior / foto Marcelo Luiz de Freitas

Jeca Poeta

Um homem parado na calçada
Havia perto daquela fachada.
Era difícil de ser confundido,
Pois dia a dia ali estava aderido.

Mantinha seu olhar reflexivo
De homem decidido
Que muito já havia vivido
E à vida devia ser agradecido.

Ele muito tinha a contar
De tanto em sua vida caminhar.
Bastava um breve lembrar,
Para de nostalgia se fartar.


Parecia inebriado,
Talvez absorto em reflexões,
Cheio de vida, mas taciturno,
Estava ali, mirando o gado, calado.

Não tinha esposa,
Mas tinha filhos
Que há muito não o viam
E nem mesmo falta dele sentiam.

Ele era o típico poeta.
Mas tristeza quase nunca sentia,
Pois a solidão ele havia escolhido
Para ser acompanhado pela poesia.

Em seus pensamentos, versejava e rimava
Com a sapiência que o tempo lhe dera
A qual em nenhuma ciência encontrava
E em sua solitude guardava.

Assim, ele usava a tristeza que sentira
Para poetizar sem papel, em sua mente,
E mostrava que a tristeza era simplesmente
Renascimento daquele que amor à vida sente.

Um homem parado na calçada
Havia perto daquela fachada.
Ele da vida tudo esperava,
Pois a poesia ele namorava.

Sua rotina era julgada sofrida
Por ser sem luxo e incompreendida,
Mas ninguém sabia que sua rotina em nada era sofrida:
Resumia-se em apreciar a beleza desmedida

Encontrada nas mínimas coisas que o rodeavam
E até na felicidade de gente desconhecida,
Pois só assim sua vida era colorida:
Observando a beleza que vem da natureza.

Só o julgavam taciturno
Aqueles que não entendiam
A filosofia por ele criada
Com a passagem de cada dia:

A natureza era a poesia,
Seu tempo era a reflexão,
A fachada era a nostalgia
E a mente era toda paixão.


*Poema vencedor do II Festival de Poesia do Campus Guarus - de Campos dos Goytacazes, RJ -, realizado no Instituto Federal Fluminense Campus Campos-Guarus, no dia 14/03/2013. Foi tido como o melhor texto do Campus Campos-Centro e o melhor da categoria intercampus, na disputa com outros Institutos Federais Fluminenses.


Comentários

Impressionante. Daria um belo filme. Parabéns.
Muito obrigado pelo comentário, caro Marcelo!
Gostei muito de ver sua fotografia ilustrando meu texto!