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DRUMMONDIANA de EMANUEL MEDEIROS VIEIRA / ilustração: Cláudio Feldman

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DRUMMONDIANA
                                                      (Deserto)

                                       EMANUEL MEDEIROS VIEIRA
                                           PARA VILI ANDERSEN

(...) “Caminho todas as tardes por estes quarteirões desertos, é certo/Mas nunca tenho certeza se estou percorrendo o quarteirão deserto/Ou algum deserto em mim”
                       (Manoel de Barros, “Miudezas”)


Chacinas, propinas, rimas (ruins, é certo).
Não é uma solução – não é Drummond?
Havia sim uma pedra no meio do caminho.
Outra e mais outra.
Um anjo torto pousou em mim, na minha ilha, no meu país?
E recebi a bênção de um milagre cotidiano:  uma criança, o coqueiro, o mar.
(Este  “instante eterno” legitima a jornada.)

Uma enfermidade – a consciência da “brevidade infinita” desta vida.
“Compreender que a gramática é um instrumento, e não uma lei”.
(Fernando Pessoa, “Livro do Desassossego”)
Clamo por Deus – estou Buscando-O em todo caminho – sempre.
E Ele Desaparece/Reaparece.
E um anjo bom sorri.

(Salvador, junho de 2015)

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