A POESIA QUE VIROU PROSA: Eu, Marginal, me confesso por Narciso de Andrade e Cida Micossi


O poema de Narciso de Andrade sofreu interferência de
Cida Micossi, veja como ficou o poema que aparece com as palavras em negrito.


As pessoas se comovem ao ver-me com jeito cambaleante
quando chego com olhos úmidos de tanto arrependimento por fazê-la sofrer
sempre pedindo perdão. Não sei ao certo se terei.
Eu me aproximo das pessoas, que passam indiferentes à minha tristeza,
com lágrimas nos olhos. Não se impressionam, pois não é com elas.
E quando chego indeciso e triste querendo agradar,
inventando palavras dançarinas, que pausam sua saída se recusando a bailar,
elas se comovem. Olham para mim como se me houvessem descoberto.
Por ser poeta e miserável eu comovo as pessoas. Aquelas palavras dançarinas evoluem.
Eu, marginal, me confesso a todos que me leem,
responsável que sou pela mágoa que provoquei,
por toda tristeza do mundo. Tentarei ser diferente a partir de agora.
Essa inexplicável ausência de atitudes coerentes me faz carente
de notícias do infinito. Vagam no espaço sem aportar.
Essa solidão perpétua que me persegue a existência
em bronze gravada dentro do mais íntimo de mim e
na testa de cada um dos meus parceiros de jornada.
Cida Micossi, 07/04/2017

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