IPÊ-AMARELO - João Tolói

Sempre que se é convidado para escrever sobre o trabalho de outra pessoa, tem-se em mãos um desafio, pois diante de um universo de outras opiniões, temos que expor a nossa, de forma objetiva, coerente e sincera.
Este convite, que muito me alegrou, aconteceu durante o breve tempo de almoço, na maioria das vezes descontraído, que acontece na escola em que trabalhamos. Somente ao chegar em casa, me dei conta da responsabilidade.
Convivo com João Toloi, o autor deste livro, a cerca de 13 anos e o considero uma das pessoas mais íntegras e comprometidas com a educação que conheço.
Carismático, grande leitor e escritor, “Prof. João”, como é chamado carinhosamente por seus alunos, desenvolve através da poesia Haicai, há alguns anos, um trabalho primoroso, voltado à sensibilização e às competências escritoras e leitoras. Seus Haicais seguem a estrutura tradicional, difundida no Brasil por Massuda Goga e o Grêmio de Haicai Ipê, formado por três versos, um número limitado de sílabas e utilização de um kigo (palavra ou expressão que remete às estações do ano).
Lembro-me quando ele começou a divulgar a poesia haicai na escola, mal nos dávamos conta de que aquela pequena forma poética, continha tanta informação e falava de tantas coisas. Como o próprio João Toloi me escreveu numa dedicatória “O Haicai é um jeito de estar e sentir o mundo” e termina dizendo “obrigado por me ensinar a escrever Haicais”. Quanta modéstia e gentileza!
O conjunto de poesias escrito por João Toloi nos leva aos caminhos por ele percorridos e nos remete às suas vivências, percepções, lembranças de sua infância e dos bons momentos vividos junto à natureza, na cidade de Brodowski, interior de São Paulo e em outros lugares :

Casa da infância                                Ainda sussurra o vento         
Nas mangueiras em flor

Desvio o caminho
Para além da minha rua –
Quaresmeira em flor
São momentos capturados apenas por um olhar atento. Destaco também a notável sensi-bilidade e habilidade do autor em exprimir com palavras o que se sente:

Luar na janela
Do que ir escrever
Nada mais importa

Eu só poderia finalizar dizendo a João Toloi, obrigada por nos mostrar o mundo, nos ensinando a apreciar desde os mais intensos fenômenos da natureza aos mais sutis e também, por nos falar sobre as flores e as árvores e nos fazer perceber o canto dos pássaros, apesar de vivermos numa cidade tão conturbada. Obrigada pela sua incansável paciência e dedicação. Obrigada por nos ajudar a sermos pessoas melhores.  -  prefácio de Deise Felix Constant

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