REFLEXÕES EM CONTA-GOTAS - de Aristides Theodoro (capa Neli Maria Vieira)

UM TEXTO A LAVA JATO
               Iracema M. Régis

            Quando escrevo sobre Aristides Theodoro e sua obra, de tanto conhecer os dois, meu texto sai com uma rapidez e intensidade sem limites. Daí a recorrência ao título da operação Lava Jato (prefiro Lava a Jato), que trata da dilapidação dos cofres da Petrobrás e outros patrimônios do nosso país, praticada por uma quadrilha de políticos (ligados principalmente ao PT e a outros partidos,  diretores de instituições financeiras e empresários), com uma agilidade invejável. Este novo livro do Aristides Theodoro, apesar de grafado em versos soltos e levar o título de Reflexões em Conta-gotas, podemos classificá-lo de prosa poética ou uma nova forma de fazer diário, visto que registra diariamente os fatos da nossa história política e social. E como os pequenos textos surgem à conta-gotas, daí a motivação do título.


Na minha modesta avaliação, vejo um Aristides que se supera em termos de ironia, destilando através da pena todo o seu fel em cima daqueles e daquilo, que ele entende serem merecedores de uma crítica ferrenha, mortal. Não pude conter o riso, quando li algumas passagens como estas: “Henrique Pizzolato, do mensalão, será repatriado e irá hospedar-se na pensão da Papuda”; “Dilma e o PT, acovardados, fogem como as ratazanas”; “José Dirceu, ex-braço forte do PT, foi pego com a mão na ratoeira”; Aristides usou e abusou, ainda, do termo “maracutaia”, muito utilizado por um “operaro”, que se tornou Presidente da República e que igualzinho aos demais envolvidos está sendo investigado por danos financeiros ao patrimônio público.
Num passado não tão distante assim o Estado da Bahia nos forneceu um poeta de nome Gregório de Matos, que ficou na história como Boca do Inferno. Será que Aristides Theodoro (seu conterrâneo), baiano de Utinga, quer candidatar-se ao título de Boca do Inferno II? Essas máximas, aparentemente passageiras, por focalizar um determinado momento político do Brasil, têm o poder de memória e registro do cotidiano, servindo àqueles que, em qualquer data, se interessem pela história do Brasil, seja em compêndios pedagógicos ou por meio de uma obra literária.
Sabemos, de antemão, que Aristides Theodoro produz literatura sob uma gama diversa de informações chegadas até ele na observação dos acontecimentos do dia a dia, pelo noticiário da TV, revistas, jornais, leitura livresca, troca de ideias e a frequência a eventos culturais. Diante disso, temos a reflexão de todos esses conhecimentos estampada nas páginas em branco do papel, com sabedoria, bom humor e muita ironia, como já disse.
            A importância deste "Reflexões em Conta-gotas”, para o leitor, não reside no gênero (prosa ou poesia), mas no conteúdo de uma riqueza imensa para quem quer informar-se e ter acesso a uma literatura de  primeiro grau.   -  por    Iracema M. Régis, jornalista.


OBJETOS QUE ME CERCAM
(1)

Prezo alguns objetos que me cercam:
meus livros, meus discos (vinil),
minha máquina Olivetti,
tipo Mário de Andrade (sou um homem antigo);
meus cravos, minhas hortas, meus quadros,
enfim, minha velha casa cheia de coisas
que me agradam e por últimos, alguns amigos
                                                           5/4/2015

NÃO CONSIGO LER PROUST NEM JOYCE
(2)

Sou fissurado por leitura. Gosto muito de ler
romances, poesia, filosofia e sobretudo
ensaios. Porém não consigo ler nada de
Proust e Joyce. Meu livro de cabeceira é
Os Sertões, de Euclides da Cunha, o qual já li
dozes vezes.    
      6/4/2015

O SERTANEJO É, ANTES DE TUDO,
UM FRIORENTO
(3)
Como bom sertanejo
não  gosto do frio.
O frio é cruel:
esfria-me o corpo
congela-me a alma
                   7/4/2015
PETROBRÁS
(4)

A Petrobrás foi saqueada
por um bando
de gafanhotos
que solapam o País
                  8/4/2015          


DERROCADA
(5)

Depois de mais
de sete décadas  de vida
nunca tinha visto um período
de tamanha desmoralização
como esse, sob a égide,
 desse PT nefasto
              12/4/2015

        
UM PAÍS QUE VAI PRO BREJO
(6)

Esse Brasil imenso
cheio de belezas mil
não é para ser governado
por qualquer  jejuno
ignorante, incompetente
                       13/4/2015
Costelas Felinas - livros e revistas artesanais

Comentários

Anônimo disse…
Grande raça de corruptos. Um mal difícil de arrancar pela raiz.
João Carllo