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CONSTRUÇÃO - Márcia Guedes

Nos versos do primeiro poema, a autora diz: “E no transcurso/Das linhas/Puras poesias/Todo processo”, revelando ao leitor o que busca: a palavra e o encantamento. Palavra-ímã que atrai o poeta, agora instrumento da própria palavra.
   E Márcia entrega-se, deixa-se conduzir sem opor qualquer resistência, o lirismo brotando nos versos... “Friozinho desatino/Sorte cruel, tarde de domingo/Delicados matizes”.
   Busca no infinito a força de que necessita para cumprir seu destino. Na evocação da mãe, não apenas a sua, mas todas, a acolhida e a amplitude do olhar e do sentir do poeta, que sabe onde o poema é gerado antes de ser parido. É no de dentro que se faz  a tessitura do poema, que depois chegará ao leitor para ser deglutido, devorado e incorporado talvez, em (re)criações.
   “Nesta abastança dos sentidos”, Márcia torna-se íntima das estrelas “como vaga-lumes brilhando”... onde se recosta e desfruta da brandura das noites de sua terra. Noites que se transformam “Sob a  neblina do vento frio” trazendo melancolia e sofrimento. Fases que se alternam diante do amor, que “Aqui dentro/Cresce/Não se refaz/Apenas/Continua... E nesse tempo, nesse fluir inexorável, a constatação: “Dias de colher o que se plantou/De comer o pão que a vida amassou/Dias de alegria/De ventania”. Jorram lembranças, matéria de poesia que Márcia burila mantendo a pureza da palavra: “Entre os bananais/infância atroz/Sombria infância”.
   Mas a esperança espreita (ou o poeta é um fingidor, como dizia Pessoa?) e no “final (como anjos) todos sobem”.
   Márcia cumpre seu destino, seu ofício de artesã de palavras: “De certo meus dedos/Revelam-me no escuro”.  -  por Regina Alonso

Noite

Cai sombria noite
Sob a neblina do vento frio
A sudeste dos sonhos
Na eloquência do destino

Ventando a alma
Sofre, diante da melancolia
Vazio sem a presença
Desavenças
Do passado frio.


Surtos

Vi estrelas naquele horizonte
Senti o toque a deslizar o hemisfério
E dentro das expectativas descobri  nomes
Codinome inventado saído do ventre
Celeste ponte das azaléias
Conquistar a artimanha inventada
Foi o sério traçado das minhas idéias


Costelas Felinas - livros e revistas artesanais


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