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CRÔNICAS DO SILÊNCIO - Rodrigo Poeta

O autor de Haicais Ásperos vem, agora, em prosa "danificar" aquilo que temos de mais precioso: nosso ego,  -a manhã é para as borboletas, o período da tarde é dos marimbondos- a cada texto avançado o leitor poderá sentir a mesma picada que ocorre na pág. 09.
Ficamos inflados, nos preenchemos de tudo aquilo que imaginamos ser, mas a picada, ah! a picada desfigura não só a face, ataca os falsos de fé, corrompe a pele da soberba e nos coloca como atores em um teatro onde no cenário é revelada a máscara caída e a inércia dos tolerantes.
Ficamos como personagens de uma história que sabemos há muito fazer parte, e como leitores à procura de uma fuga, desejamos do autor o mesmo dedo na boca que aparece na capa . - por Cláudia Brino


A ÉTICA DO PÃO

    Uns se intitulam a nata do leite cultural e outros são alternativos em vender a alma politicamente na Costa do Sol. No dossiê do pão doce, o Rei de Copas diz que está cansado, o homem da farinha alternativa diz que está cansado, o bobo da corte agora amigo do Rei de Copas está sem rumo...
    No dossiê do pão doce sem açúcar, o infiltrado também conhecido como o dodói, diz que quer comer do pão da ética e fala para todos também comerem o pão da ética.
     O problema é que o alternativo cansado já falou que não tem mais farinha, que o padeiro não faz mais o pão doce há décadas, pois a ética do pão morreu desde que começaram a implantar feudos culturais na região.
     O radical diz que tem a fórmula para fazer o pão, mas esquece que não há mais farinha...
      Tudo isso ocorre devido à intolerância, vaidade e claro falsidade, pois se dizer cansado e santo, se dizer cansado e salvador da pátria, se dizer radical e ir para guerra... Realmente não dá para acreditar em palavras plantadas num trigo podre e burro, que tem a audácia de dizer que quem planta o bem plantará o bem e o contrário só discórdia... Engraçado ver isso tudo dentro de um fóssil de pão em seu miolo, que contém um alternativo, um radical, um Rei de Copas, um bobo, um padeiro e um faroleiro a enxergar tudo isso.
      Quero pão! Também quero sonho! Quero luz e sal!
      O que adianta um ter a fórmula e não ter a coragem, o que adianta um ter a farinha, mas vende ela a troco de migalhas, o que adianta o Rei de Copas insistir nesta guerra em vão. O faroleiro do Arraial sonhou com a união de todos os falsos reis de feudos culturais junto com os radicais, os alternativos e com os guias da luz do Farol para sim produzirem o pão doce novamente. Realmente só é um sonho ver todos juntos.
       A Ética do Pão nunca existiu, pois o que falta para todos na verdade é coração e simplicidade nas palavras vindas do Farol.
       O Farol é o nosso guia, é a nossa fé de um dia ver tudo em perfeita harmonia.
       A dualidade existe e é inata, mas quem sabe a nata vire rosquinha e o farelo uma fórmula alternativa de uma paz, mesmo que seja provisória dentro de uma Ética do Pão.
       Vou indo, pois o carro do pão está passando na minha rua!

        - Está passando em sua porta o carro do pão! Pão doce, pão de pizza, bolos, tortas e muito mais...Está passando em sua porta (palavras vindas do coração) o carro do pão (vida)!


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