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UM POETA DA MARÉ - Nilson Alves Nogueira


Um Poeta da Maré!
Poeta da maré,
Sei que sou,
Minha fé!
Deus me incorporou,
As mais belas palavras, revolucionou!
No papel repassou,
Versos e rimas, no Horizonte,
Da Baixada Santista. 


Em 9 de fevereiro de 2007 saí da Cidade de Santos, litoral de São Paulo, Brasil, rumo ao Oceano Pacífico. Minha ideia era chegar até o Peru, mas antes teria uma longa jornada pela frente. O roteiro elaborado incluía a Bolívia, um dos países mais pobres da América do Sul. Naquele momento não tinha opção de ir de avião, pois ganhava um salário muito baixo, na função de Operador de Produção, descarregando os grãos dentro dos vagões, na Cia. Auxiliar de Armazém (Coopersucar). Ali era um portuário, denominado como “Trabalhador de Terra”, na categoria intitulada de “Capatazia”.
Meu mundo resumia-se em trabalhar, e muito! Nas horas vagas surfava e conhecia o mundo da literatura. Após receber o aviso de férias de um mês, fiz minhas contas, já separando a pensão do meu filho, que na época tinha quatro anos de idade. Depois de fazer muitas dobras, para comprar dólares americanos, meu sonho seria realizado, de poder conhecer uma parte inóspita da América do Sul. A partir dali daria uma pausa na leitura para viver a realidade destes países vizinhos e tão parecidos por seus contrastes sociais. 
Minha jornada até Punta Hermosa, no litoral sul do Peru, demorou uma semana. Viajei como um verdadeiro mochileiro, dormindo em hotéis baratos, passando por lugares maravilhosos e conhecendo muita gente. No país boliviano observei um atraso enorme, por consequência da manipulação de senhores do norte, palavras ditas por habitantes de Cochabamba, La Paz e outras regiões deste país, que agora se encontra sobre a liderança do popular Evo Morales.
Neste caminho vi muita pobreza e isso me despertou algo que jamais tinha sentido na vida. No Trem da Morte, por exemplo, crianças, que deviam ter aproximadamente a idade do meu filho, arriscavam suas vidas, para subir no trem em movimento, na intenção de vender diversos produtos. Tudo diferente para mim, principalmente quando aquelas crianças desnutridas passavam com um balde de lavar roupa, comercializando um suco chamado Chincha. Isto corroeu minha cabeça, pois muitas vezes choramos dores, que não podem ser comparadas com a situação destas pessoas. 
Depois de ter vendido uma prancha de surf, consegui seguir viagem até Cusco, no coração da América do Sul, onde andei por trinta e dois quilômetros na linha férrea, até Águas Calientes. Dormi num palanque da cidade, acordei bem cedo, fui direto comprar a entrada da “cidade perdida”, Machu Pichu. Dei um telefonema lá de cima, em um orelhão público, para minha mãe, Dona Heloísa, dizendo estar na Montanha Sagrada. Não demorei mui-to para entrar no templo escondido pelos incas. Nunca fui muito religioso, porém naquele momento, algo puro tocou meu coração. Vi muitas injustiças e passei a fazer vários questionamentos, traçando um paralelo com nosso país. Porque alguns comem tão bem e outros muitas vezes não têm nada em suas mesas? Lembrei de muitos livros indicados por amigos anarquistas, como Carlos Paulon. Dentre as obras, a leitura “The Wolf the Sea”, do escritor Jack London. Minha ideologia foi então aparecendo e curando uma ferida, feita por um sistema capitalista. Porém, eu tinha que retornar ao Brasil, minhas férias estavam acabando, mas, retornar como? Voltar sendo a mesma pessoa? Meus conceitos haviam mudado e no caminho percebi uma doutrina já lida nos livros GUEVARISTAS, como também nos versos de NERUDA. Voltei para minha cidade, abandonei o Curso de Eletrônica, que fazia somente para ter uma profissão, ingressei na Faculdade de Letras, aprofundei meus estudos numa doutrina vermelha. Também conheci outra literatura poética, escrita por um autor defensor dos escravos, Castro Alves. Comecei a escrever poesias, até que um dia, participei de um sarau na Casa da Frontaria Azulejada, no centro de Santos, o Sarau do Caiçara, que na verdade tinha quase nada de Poesia Caiçara. Minha poesia foi ganhando versos e rimas revolucionárias, esta era a minha arma de tentar manifestar-se contra uma ditadura capitalista, que vivemos hoje neste mundo tão egoísta. 
Então, com os saraus organizados na “Vila do Teatro” pelo professor de história, meu amigo, João Mendes, consegui ir desenvolvendo minhas poesias. Hoje sou chamado de Poeta da Maré, por ter nascido na cidade de Santos, banhada pelo Oceano Atlântico. 
Também sou chamado dessa forma pela “línguagem portuária”, adquirida em muitos anos de trabalho no Porto de Santos. Lá cada trabalhador apelida o outro com expressões típicas, como “Dumar”, ou “da Maré”. Eu chamo quase todas as pessoas assim! Faço parte de uma cultura praiana e penso que o porto é a grande expressão de nossa cidade. - Por Nilson Alves Nogueira dos Santos

 Arranha céu

Quando eu era menino,
Vivia na rua descalço,
Muitas vezes com o tampão arrancado,
Do dedão maior do pé,
Depois de um chute falso,
No piche esburacado,
Da Rua Alfaia Rodrigues,
No bairro que eu nasci,
Em Santos, no meu Embaré,
Já faz muito tempo,
Mas, ainda me lembro,
Dos muitos chalés,
Principalmente da Dona Diolinda,
Uma senhora portuguesa,
Se a bola da molecada caia no seu quintal!
Era furada na hora com certeza
Porém já sou adulto,
Vivo agora em outro mundo,
Onde já não existem mais os campos do BNH,
O Shopping foi construído pra pessoas passearem,
As melhores roupas comprarem,
Como também endividarem-se!
A aquarela agora é outra,
Não vejo mais o pé de carambola,
Quando passo pela Rua Alfaia Rodrigues,
Não vejo mais a futura molecada,
Brincando ou jogando bola,
Meu pobre coração chora,
Onde estarão eles agora,
Provavelmente,
Estão dentro dos seus
Arranhas Céus, utilizando seu vídeo games
de última geração.
Penso às vezes estar no EUA,
Porque cada Arranha Céu,
É tão grande, que juntos parecem infinitos,
Porém aqui é a Aquarela,
E nós temos que pintar
As ruas com as cores do nosso hino!
Não podiam construir tudo isto,
Entretanto o Pré Sal assoprou,
Uma onda forte chegou,
A onda dos prédios de 30 andares,
Estão na Aquarela por todos os lugares
A lei foi modificada, mais uma vez palhaçada!
Onde jogarão e brincarão a molecada?
Os filhos dos capitais eu sei,
Empinarão pipa na sacada,
Coitado do meu Embaré,
Já não existe mais chalé,
Acho que nós fomos a última geração,
Bola de gude e jogo de botão,
Cuidado esta onda pode te afogar!
O preço do aluguel vai dobrar, ou até mesmo quadruplicar,
E agora aonde nós vamos morar?
Não sei! São tão Grandes os Arranhas Céus
que eu não consigo enxergar!
  

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