DO VINHO - Clevane Pessoa

Desde as gavinhas, nas vinhas,
foto Cláudia Brino
agarradas aos galhos.
o vinho tem sutilezas sensuais,
que vem das uvasmamilos.
Uvasovários,
Uvasovas roxas, verdes.
antes pisadas no lagar,
onde os poros das solas recebiam o néctar,
e pelas pernas subia o suco mais que mágico
até chegar aos odres  corporais.

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Há taças feitas no moldes dos seios
da mulher amada, ou da musa,
por isso as taças eram largas ,
representando as bases rosadas das mamas
As fluts, segundo experts, não são apropriadas
Ao champagne.

Para os outros vinhos, espaços especiais.
Há quem beba em cálices corporais,
onde se mesclam
Os rocio dos desejos  naturais
Ao cheiro e ao sabor pungentes do vinho.

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O aroma nos toma, o sabor se espalha pela ávida língua
Deixando as papilas gustativas
Por um bom tempo, tomadas
Pelo milagre da maturação depois da colheita.

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Simbólico e lúdico.
Quando Baco inventou,
talvez incidentalmente,
ou com laivos de malícia,
essa bebida con/sagrada,
foi para soltarmos as peias,
dos amigos à mulher amada,
do amante ao sacerdote
e revelarmos ao universos
segredos mais-que-secretos
segredos sagrados ,marcados e a marcar,
segredos plúmeos e plúmbeos,
na alegria de poder contar
o inenarrável  sentimento
oculto nas dobras de gaze
de nossa fragilidade humana.
E ao som da flauta do deus gaiato
Se luxurioso,modularmos palavras soltas...



postagem enviada por Clevane Pessoa 

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