Pular para o conteúdo principal

VISÕES - Valéria Rodrigues Florenzano

Obra realizada através do projeto Desafio Literário do Clube de Poetas do Litoral, onde cada participante durante o encontro do CPL realiza atividades literárias que valem pontos e que servem para a publicação do trabalho do autor.


Dois Pontos de Vista

            - Há muitas nuvens, não há pássaros e a temperatura está acima do normal - diz Lia.
            - Que dia chato! - diz Ana, olhando para o mesmo céu, no mesmo momento.
            Lia e Ana são especiais para mim.
            17/03
            Fiquei incomodada com a Ana hoje. Mais uma vez, ela não apreciou muito a minha opinião, pois preferiu entregar, no nosso nome, a história que ela inventou para completar a história contada pela professora de Português. Eu queria entregar a minha, mas não quis contrariá-la. Apenas uma história tinha de ser entregue por dupla, acabou sendo a dela. Concluí que Ana não valoriza muito nossa amizade. Para ela, o que importa é agradar aos professores. Isso me incomoda.
            Hoje fomos à biblioteca, já que a professora havia pedido que cada dupla ficasse responsável pela biblioteca uma tarde a cada duas semanas. De repente, apareceu um rapaz. Ele ficou por muito tempo lá e a Ana foi conversar com ele. Achei que ela estava nervosa. Quando fechamos a biblioteca, ele não estava mais lá. Percebi que ela ficou incomodada com a presença dele, embora enquanto voltávamos para casa não tenha falado nada.
            24/03
            A Ana continua esquisita. Até parecia alegre no momento em que contamos, para a classe, a história que ela inventou, mas eu sabia que havia alguma coisa errada: estava misteriosa, parecia querer dizer-me alguma coisa. O problema é que não me dizia nada. Fiquei muito surpresa com ela na aula de Português, contou pouco sobre a história que inventou. Eu falei mais do que ela. Quando voltávamos para casa, a Ana parecia melhor.
            17/04
            Hoje a classe toda foi conversar com a diretora. O assunto era grave. Um livro raro que estava na biblioteca tinha sumido. Havia até um policial na escola, que fez perguntas para todos nós. Eu e Ana contamos sobre o rapaz que tinha estado na biblioteca, mas ninguém sabia quem era.
            A Ana mudou muito desde aquele dia que nós ficamos na biblioteca e aquele rapaz apareceu. Estou começando a achar que o livro sumiu naquele dia e que ela está envolvida nesse sumiço. Ela ficou nervosa demais quando aquele rapaz chegou. Será que os dois planejaram levar o livro? Naquele dia, depois que o rapaz entrou, ficou conversando bastante com a Ana. Pelos gestos e olhares deles, parecia que já se conheciam. Foi depois dessa conversa que ela ficou bastante esquisita! Depois, ela quis procurar um dicionário num lugar em que não havia dicionários. Então, quando avisei que ele não estava lá, ela demorou a voltar. Acho que nesse momento, ela ajudou o rapaz a sair com o livro. Depois que achamos o dicionário, a Ana ficou o tempo todo comigo e eu não vi mais o rapaz; ela pode ter ajudado o rapaz naquele momento. Quando fomos embora, a Ana estava nervosa e calada.

Adquira diretamente com a autora
valeriarf@bignet.com.br 
Costelas Felinas - livros e revistas artesanais
http://artesanallivros.blogspot.com.br/

Comentários

Postagens mais visitadas deste blog

Poema em linha reta - Fernando Pessoa - Interpretação Osmar Prado

Enviado por A. Pastori Abaixo, link para uma brilhante e convincente interpretação - inusitadamente adaptada - do ator Osmar Prado, sobre um antológico poema de Fernando Pessoa.  Para refrescar-lhes a memória, logo abaixo do link está a poesia completa do Poetíssimo de Além Mar. http://www. poesiaspoemaseversos.com.br/ poema-em-linha-reta-fernando- pessoa/?utm_source=feedburner& utm_medium=email&utm_campaign= Feed%3A+ DaBuscaemPoesiaComPoesia+%28A+ Magia+da+Poesia%29#. Vivrun6rTIU Poema em linha reta - Fernando Pessoa Nunca conheci quem tivesse levado porrada. Todos os meus conhecidos têm sido campeões em tudo. E eu, tantas vezes reles, tantas vezes porco, tantas vezes vil, Eu tantas vezes irrespondivelmente parasita, Indesculpavelmente sujo. Eu, que tantas vezes não tenho tido paciência para tomar banho, Eu, que tantas vezes tenho sido ridículo, absurdo, Que tenho enrolado os pés publicamente nos tapetes das etiquetas, Que tenho sido grotesco, mesqu...

Trajes Poéticos - RIMA EMPARELHADA

rimas que ocorrem seguidamente em pares. ********* os poemas publicados aqui participaram do concurso Trajes Poéticos realizado pelo Clube de Poetas do Litoral - salvo os poemas dos autores cepelistas que foram os julgadores dos poemas.                

Revista temática Cabeça Ativa - BORBOLETAS

CAPA: Nelly Vieira                    R$4,00 (incluídas despesas postais) Nesta edição de nº 22, Cabeça Ativa dá um suave e elegante voo alongando suas páginas em direção ao aconchego sensível das borboletas. Alçamos nosso bailado aos céus a procura de poemas envoltos em aladas carícias e nos quedamos extasiados ante tantos versos ocupados em retratar um compartilhamento íntimo de pétalas afagando pétalas. Por tudo isso, convidamos nossos leitores a aninhar em seus dedos este singelo casulo de papel e a se deleitarem com os surpreendentes adejos poéticos provenientes das infinitas asas sem frênulos deste utópico panapaná literário. os editores   autores deste número: