NOMOFOBIA - Emanuel Medeiros Vieira

Antecipo-me: a tecnologia e a era digital são das maiores conquistas da humanidade  quando usadas para o Bem. (que os gentis leitores perdoem-me a platitude...).
O uso do celular se popularizada cada vez mais.
Acredita-se que, em 2020, haverá mais pessoas com celulares do que com eletricidade ou água no mundo, segundo previsões da empresa de tecnologia Cisco.
Apesar das facilidades que esses objetos concedem (visualização de filmes e programas de TV, realização de transações financeiras e acessibilidade), estudiosos  afirmam que pessoas podem apresentar um padrão de uso problemático, conhecido como “nomofobia”
(A palavra é uma abreviação do inglês “no more phone phobia”, e foi criado no Reino Unido para descrever “a compulsão pelo telefone móvel.)
Matéria de Gabriela Albach para o jornal “A Tarde” (de Salvador), informa que Japão, Coreia do Sul e China “reconhecem esse vício como uma questão de saúde pública e têm programas de saúde que tentam abrandar o problema”.
No Brasil já existem institutos voltados para a chamada “desintoxicação digital”, quando o “uso excessivo de aparelhos ligados à internet gera prejuízo na vida real do usuário”.
O psicólogo Cristiano Dias – coordenador do Grupo de Dependências Tecnológicas – escreve: “O que assusta é que eles são muito parecidos com os manifestados por dependentes de drogas. Exemplo: quando não está com o seu smartphone não mão, o usuário fica irritado e ansioso”.
Estudo feito no EUA (informação da mesma matéria citada) pela organização SecurEnvoy mostrou que os donos de smartphones conferem o celular pelo menos 34 vezes ao dia.
A pesquisadora brasileira Anna Lúcia King, da Universidade Federal do Rio de Janeiro (UFRJ), realizou uma pesquisa  e constatou que 34% dos entrevistados afirmam ter alto grau de ansiedade sem o telefone por perto.
A União Internacional de Telecomunicações, mais de sete bilhões de aparelhos celulares estão em uso no mundo.
Que fazer? É um processo muito difícil – pior, quem sabe, para as novas gerações que cresceram com a existência do telefone móvel.
Já disse, em outro texto, que a internet é a maior praça pública do mundo.
Como usar essa praça? Não tenho respostas. Poderia cair em lugares-comuns, como “educar os jovens”, “buscar o equilíbrio” etc., mas já não tenho idade para dar conselhos, e antiguidade não é posto...
Prefiro, então, terminar com Belchior (que estava traduzindo a “Divina Comédia”, de Dante  Alighieri  (1265-1321)– o que é uma tarefa hercúlea:

“NA HORA DO ALMOÇO”
  (BELCHIOR –1946-2017)
(Vencedora do Quarto Festival  Universitário da MPB (1971):
“Cada um guarda mais o seu segredo/A sua mão fechada, a sua boca aberta/O seu peito deserta, sua mão parada/Lacrada e selada/E molhada  de medo”


(Salvador, maio de 2017)   

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Comentários

Anônimo disse…
Lembro de uma foto de um jornal que mostrava um refugiado de guerra com o celular na mão e em volta aquela cena desoladora.
rodrigo arantes