LOBO (E ANJO) - por Emanuel Medeiros Vieira

“A forma como as pessoas nos tratam é o karma  delas.
 A forma como reagimos é o nosso” (Dalai Lama)
         Resistes.
         Bravamente?
        É da humana  lida resistir
       O lobo te ataca ferozmente – o Tumor
      Já é longa essa batalha
      (O anjo na soleira da porta te adverte para o vitimismo e a autocomiseração)
      A ferocidade é a dor


     Suspendes a leitura, o texto que escrevias,  suas, e a cama não soluciona
    Não mais  aquele tipo, meu velho, dos 25 anos de idade, da ditadura plena, da tortura, da     
   OBAN e do DOPS – com coragem, crenças, utopias.
  Jayme Ovalle disse que o câncer é a tristeza das células...
 E lembrei-me dos versos de Carlos Drummond de Andrade:
“Quando nasci, um anjo torto/Desses que vivem na sombra/Disse: Vai Carlos! Ser gauche na vida”. (...)
           “Poema de Sete Faces”
E o moço espiritualizado – com um anjo torto, com um anjo bom
 Apela: Não Me Abandones, Pai
Nesta secreta paisagem da noite,
 E Concede-me Serenidade e Paz,
Quando chegar a hora da Travessia.

(Salvador, março de 2017)*

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